dezembro 31, 2009

Até 2010

Nada melhor que receber um postal.
Este é do fotógrafo moçambicano Mauro Pinto.
Agradeço, retribuo e compartilho
Até lá...201o
...Mãos de Moçambique...

outubro 20, 2009

Deodato Siquir & Banda Maputo em Concerto na Suécia

Em pé : Raimundo Mauele, João Cabral,Orlando Venhereque,Fanuel Macuacua (Sacre),
Hélder Gonzaga, Deodato Siquir e Dua Maciel.
Agachados: Samito Matsinhe, Celso Paco e Paulo Wilson.


Está é a banda Maputo que estará em concerto na noite do dia 22 de Outubro em Helsingborg na Suécia e no dia 23 de Outubro em Copenhagen Jazzhouse na Dinamarca

Recordar que a banda Maputo está na Dinamarca a convite do Conservatório Rítmico de Copenhaga - Dinamarca em colaboração com o músico Deodato Siquir radicado na Suécia.

Na semana de 5 - 9 de Outubro, os músicos transmitiram seus conhecimentos de música moçambicana a turmas de 10 estudantes por cada músico.

Como vai a saúde dos artistas e os ensaios poderá ser a pergunta de alguns amantes da música moçambicana...eu procurei responder por eles através de algumas fotos dos eventos....

As fotos falam por si...

Dua Maciel (centro) um passo...se calhar sobre orientação do Sacre a esquerda.Será?

As fotos "roubei" no facebook dos artistas...

outubro 19, 2009

PENÚMBRAS DA VIDA no Instituto Camões em Maputo

Sou curioso das artes plásticas moçambicanas. Confesso que não conheço os trabalhos do artista plástico Famós, mas fico feliz quando sei que haverá uma exposição... Matteo Angius, do Instituto Camões e Lizete Mangueleze, responsável pela comunicação nesta exposição não esqueceram do maosdemocambique e deixaram ficar a informação sobre o evento...o meu obrigado.

Quem estiver a caminho ou em Maputo, lembre-se que no dia 21 de Outubro, na Galeria do Instituto Camões-Centro Cultural Português, às 18h será apresentada a exposição PENÚMBRAS DA VIDA.


obra de Famós

Jorge Dias o curador da exposição PENÚMBRAS DA VIDA, afirma que o trabalho é o resultado gráfico de uma pesquisa desenvolvida durante 2 anos, onde o artista pretende mostrar a sua inquietação em relação à temática da prostituição. A linguagem em desenho é resultado de duas técnicas, materiais e formatos, que possibilitam uma variação plástica bidimencional e monocromática. Esta proposta é parte do processo que tem como ponto comum a sociedade e o artista

Quem é Famós?

Seu nome é Felisberto Amós Tlhemo (Famós) nasceu a 20 de Fevereiro de 1978, em Maputo. É formado em Electrotecnia pelo Instituto Industrial de Maputo e actualmente frequenta o curso de licenciatura em Estatística na Universidade Eduardo Mondlane.

Em 1995 aprende desenho artístico e pintura na Casa de Cultura do Alto-Maé com o artista Sengo. Está representado em colecções dentro e fora do País e tem participado em numerosas exposições colectivas e workshops.

Recentemente participou na Semana de Moçambique na Royal Geographic Society e na Royal Commonwelth Club, em Londres.

PRÉMIOS

2006 - 2º Prémio de desenho e 2º Premio de Pintura no Centro Cultural do Banco de Moçambique;

2004 - Prémio Fundac Alberto Chissano - Consagração em Desenho;

2004 - 1º Prémio de Pintura e Menção em Desenho, na Expo Anual MUSART;

2004 - 1º Prémio de Pintura/Desenho na Expo Jovens Criadores da Zona Sul de Moçambique;

2003 - Menção Honrosa em Desenho, Bienal TDM;

2003 - 2º Prémio de Desenho na Expo Anual MUSART;

1999 - Menção Honrosa de Desenho na Bienal TDM;

1997 - Menção Honrosa de Desenho no Instituto Camões.

outubro 15, 2009

LIMITE é a nova criação da CulturArte



A CulturArte estreia a nova criação “LIMITE”, no North Fourth Art Center NM. A estreia será antecedida por uma residência artística da Companhia que inicia no dia 16 de outubro e encerra a 26 de Outubro do corrente ano.

“LIMITE” surge a partir do conceito sobre “Raciocínio 8 ou 80”, relacionado a teoria sobre o transtorno de personalidade limítrofe (TPL), que caracteriza-se pela profunda variabilidade e instabilidade do humor no indivíduo. Neste contexto desenvolve-se um vocabulário e linguagem coreográfica própria, que abre portas a uma reflexão sobre o relacionamento muitas vezes desumano que vivem nas sociedades contemporâneas...remove as diferenças, recoloca-as num mundo co-habitável e interdependente. LIMITE complementa a terceira parte da trilogia (in)dependence que esteve focalizado na pesquisa a volta da dependência psicológica.

Calendário de eventos para Outubro e Novembro 2009:

Nos Estados Unidos
19 a 23 de Outubro – workshop a volta do processo de criação “LIMITE”
23 e 24 de Outubro – Estreia e apresentação pública “LIMITE” North Fourth Art Center NM

Moçambique
2 de Novembro – apresentação pública “LIMITE”, na Fortaleza de Maputo, no contexto da Plataforma de dança

Espanha
4 a 12 de Novembro - workshop a volta do processo de criação “LIMITE” em Cordoba, no contexto ENLACE (encontro para 16 artistas de África e América Latina)


Saiba mais sobre o CulturArte aqui

Noites de Maputo - Gil Vicente Café Bar

No Café Bar Gil Vicente há sempre espaço para todos e todos estilos...Almeida Goca, baterista do Zambeze Project anuncia pelo correio electrónico o regresso da banda...não poderei estar, mas aos amantes da música deixo aqui a informação...agende e leve um amigo...Sexta Feira, 16 de Outubro, a partir das 22 h.

outubro 08, 2009

COSTA NETO EM MAPUTO


Amosse Macamo do Modaskavalu informa que Costa Neto canta esta noite (09/10/09) no Big Brother em Maputo...

Maos de Mocambique deseja sucessos ao Costa Neto e apela aos amantes da música moçambicana para aderirem o evento... não vão se arrepender....

LONGE DE CASA COM COSTA NETO


Saiba mais sobre Costa Neto aqui

outubro 02, 2009

Sentimentos de um Povo na Mediateca do BCI até 15 de Outubro


Quando a colheita é boa...há partilha sem zangas...Esta irnformação roubei na Ma-schamba que após 6 anos de cultivo individual decidiu contar com outro "agricultor"...assim o Ma-schamba tem dois agricultores, o JPT e ABM.

(clique na imagem para ampliar)

Mingas canta no Centro Cultural Franco Moçambicano


Para quem está em Maputo, gosta de Música e tem dinheiro para sair...a noite (2 de outubro)é convidativa.

A cantora moçambicana Mingas estará em palco para o concerto que conta com a participação da cantora zimbabweana Dudu Manhenga.

O concerto agendado para 20h 30 é uma iniciativa da Sonarte e o Centro Cultural Franco Moçambicano.

Recordar aqui o texto Karingana wa Karingana, escrito por Milton Machel.

setembro 30, 2009

SEMANA DE MOÇAMBIQUE NA DINAMARCA

Está é uma parte da comitiva de músicos moçambicanos que já se encontra no Reino da Dinamarca para um intercâmbio cultural denominado semana de Moçambique.

A iniciativa surge a convite do Conservatório Rítmico de Copenhaga - Dinamarca em colaboração com o músico Deodato Siquir radicado na Suécia.

É triste não poder estar perto desta nata fina de músicos, nomeadamente: Dua Maciel, Paulo Wilson, Raimundo Mauele, Sacre, Orlando Venhereque, João Cabral, Hélder Gonzaga, Samuel Matsinhe, Celso Paco e Deodato Siquir…mas estou feliz em saber que vão representar o meu Moçambique lindo e rico culturalmente.

Nos eventos agendados para semana de 5 - 9 de Outubro, os músicos irão transmitir seus conhecimentos de música moçambicana através de lições para 10 estudantes por cada músico.

Após a semana no conservatório, Deodato Siquir & Banda de Maputo se juntará para fazer uma pequena digressão pela Dinamarca & Suécia. Para Dinamarca estão agendados dois concertos: em Svendborg 15 de Outubro e em Copenhagen Jazzhous no dia 23 de Outubro. Em Helsingborg, Suécia será no dia 22 de Outubro.

PEDIDO DE VOTO PARA DEODATO SIQUIR


Deodato Siquir concorre ao prémio Melhor Artista Africano na Dinamarca com gala marcada para dia 3 de Outubro de 2009.

Como Votar ?

1. Clique no link a seguir.

2. http://www.zoomerang.com/Survey/?p=WEB229GE5MABFE

3. Na página a seguir clique Start Survey (ceta azul)

4. Na página com as categorias da gala escolha a Best African Artist.

5. Clique na bola cinzenta quantas vezes puder e quiser até o dia 02 de Outubro de 2009.

6. No final da página clique o SUBMIT para enviar a informação.

7. A página que segue deve ser ignorada (é publicidade)

Saiba mais sobre o evento aqui http://www.celebrateafrica.dk/

MÃOS DE MOÇAMBIQUE AGRADECE PELA COLABORAÇÃO

setembro 21, 2009

"O motorista " do Butcheca


Até 4 de Outubro 2009, quem passar pelo Centro Cultural Franco Moçambicano poderá apreciar a exposição Individual do Jovem Butcheca. Na exposição com titulo de O Motorista, o artista explora as modalidades de escultura, pintura e instalação.

Saiba mais aqui.

setembro 09, 2009

setembro 05, 2009

Longe de Casa com Deodato Siquir

Não conhecia este lado do Deodato Siquir...a dias disse mano ai tens uns videos e aprecie novo estilo, novos "feelings" ...adorei ... compartilho aqui com os que passam por aqui.

setembro 02, 2009

Nataniel Moiane expõe em Paris


Nataniel Moiane, artista plástico moçambicano, actualmente a residir em Espanha, apresenta de 4 a 6 de Setembro a sua sétima exposição Individual em Paris.

Conheça o percurso e as obras do artista aqui

agosto 27, 2009

INTERCÂMBIO TEATRAL ENTRE MOÇAMBIQUE E ESPANHA

A Embaixada de Espanha e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento têm o prazer de anunciar a apresentação do espectáculo Dulcinea e o Cavaleiro dos leões. Este evento se incorpora dentro do âmbito da cooperação cultural que visam a o potencionamento de capacidades humanas. A apresentação oficial terá lugar no dia 28 de Agosto 2009 às 18:00 no Teatro Avenida com convite e estará aberto ao público os dias 29 e 30 de Junho 2009 no mesmo teatro a mesma hora e a entrada é livre.

O espectáculo Dulcinea e o Cavaleiro dos leões será realizado em espanhol e português, do mesmo modo que “ La Celestina ”, em uma versão bilingue que conecte as duas línguas e as duas culturas, através da inclusão na obra de personagens típicos moçambicanos, instrumentos tradicionais, dança e musica moçambicana a par da espanhola.

Vários artistas estarão envolvidos desde músicos, bailarinos, técnicos de som e de luz, cenógrafos entre outro, razão pela qual, mais do que um simples momento de montagem do espectáculo, este será de formação e de confraternização que irá envolver artistas moçambicanos de diversos grupos, com artistas espanhóis com uma experiência internacional.

O espectáculo será dirigido pela encenadora Maite Agirre e assistência de Dinis Chembene. Esta montagem conta com a participação de 15 actores provenientes do Luarte e diversos grupos de teatro a nível da Cidade de Maputo.

agosto 17, 2009

Conheça o website Showesia


Para quem esta em Maputo ou a caminho desta bela cidade, saiba que no dia 18 de Agosto, às 18 horas, o Instituto Camões vai acolher a comemoração dos 15 anos de espectáculos com simbiose Música, Poesia e outras artes de Tânia Tomé.

Na mesma data também será lançado oficialmente o website do Showesia (www.showesia.com).

Faça uma visita e conheça o trabalho da Tânia Tomé.

agosto 14, 2009

ODE AO AMOR só no dia 22 de Agosto no Centro Cultural Franco Moçambicano

O Majescoral decidiu adiar para 22 de agosto, a apresentação da obra ODE AO AMOR que estava marcada para amanhã 15 de agosto, as 19horas no Centro Cultural Franco Moçambicano.

"Tivemos que adiar porque na praça da independência haverá nesta data um concerto com várias participações de artistas nacionais.Achamos que não faria sentindo" - disse Arnaldo Ngoca um dos elementos do grupo.

agosto 13, 2009

Noites de Maputo

Um Blogue de Cartoons de Moçambique

Conheça o blog do jovem Leilo Albano. Faça um clique aqui ou nas imagens (banner ou no cartoon)



Leilo Albano formou-se na área de Desenho Gráfico na Escola Nacional de Artes Visuais.

Tem participado em vários workshops nacionais e internacionais de Banda Desenhada, Cartoon e Pintura nomeadamente: Bienal de Jovens Criadores da CPLP (Cabo Verde), Bienal de Jovens Criadores (Portugal), Workshop de Técnicas Gráficas (Durban) e nos workshops e exposições da World comics (Moçambique-Finlândia).

Actualmente colabora em alguns jornais e revistas nacionais e internacionais como cartunista, Sua profissão é Webdesigner.

agosto 11, 2009

ODE AO AMOR

O Majescoral apresenta sábado dia 15 pelas 19horas no Centro Cultural Franco Moçambicano, a obra ODE AO AMOR.

Sob a direcção de Ricardo Cândido, esta é uma obra diferente a que Majescoral habituou o seu público, pois ela comporta a vertente coral, teatro e dança.

Viajam na obra dois personagens principais um homem e uma mulher que interpretam papeis de casados num enredo repartido em três fases: namoro, desavenças e reconciliação (ODE AO AMOR).

Saiba mais sobre o grupo aqui e aqui

agosto 06, 2009

Sérgio Santimano presente na exposição das Ilhas Canárias

Foto: Sérgio Santimano, capa do catalogo

Fotografias do Moçambicano Sérgio Santimano nas Ilhas Canárias (Las Palmas –Casafrica).

Os trabalhos de Santimano fazem parte de uma exposição colectiva que reúne obras de seleccionadas das edições anterios dos encontros de fotografia de Bamako (até aqui já aconteceram 7 edições).

Santimano é único representante da África Lusófona neste encontro. Participam trabalhados de artistas da África do sul, Mali, Argélia, Brasil, Egipto, Congo, Burkina Fasso, Marrocos, Zimbabwe, Tunísia e Madagáscar.

Saiba mais sobre evento aqui e aqui

Sobre o Sérgio Santimano aqui

julho 17, 2009

Jesusalém - A viagem interior de Mia Couto

Mia Couto apresenta hoje as 21,30h na centésima págima em Braga, o livro Jesusalém. Os amantes da literatura Moçambicana prometem aderir o evento para assinatura de autógrafos da recente obra e outras que já possuem.

Sobre o livro, compartilho aqui o texto do escritor Ungulani Ba Ka Khosa.


A viagem interior de Mia Couto

Pedem-me palavras primeiras ao lançamento em solo pátrio do livro Jesusalém; pedem-me uma leitura, um olhar, um escorço a um escritor que há muito se remessou, com o seu engenho, para horizontes que não se confinam somente as fronteiras mundiais da língua da sua escrita, do seu discurso literário. Que palavras para um transfronteiriço, um disseminador de linguagens, de imagens, de identidades de um rincão dos trópicos perdidos, para a geografia do mundo, para o mapa dos saberes perenes, senão o enaltecimento desse magistério, desse exemplo que nunca se escorou nas efémeras facilidades tropicais, por valer-se sempre do seu talento, da sua arte.

Na moeda da nossa cultura há muito que Mia Couto deixou de se inscrever no reverso, nesse lado onde pontificam outras nobres figuras das nossas letras e artes, porque transladou, por mérito, por labor, ao anverso, e tornou-se na efígie da nossa moeda na transacção no grande bazar das culturas. A essa moeda já não se pergunta pela sua validade, mas pedem-se trocos, quer-se conhece-la nas suas múltiplas vertentes, nos seus variados espelhos. No dédalo das culturas, a obra do Mia, para nosso gáudio, não foi devorada pelo Minotauro sedento do efémero, do passadiço, porque o fio de Ariadne, o fio da perseverança, o fio da qualidade, o fio da salvação ao olvido, o guia pelos labirintos do mundo da literatura saudável, robusta, perene, e sem artifícios, como dizia Hemingway. Com Mia ganha a literatura moçambicana, ganham os escritores, e ganha este País ainda relutante em assumir que a grande bandeira na memória dos povos é a cultura drapejando pelo mundo nos seus variados tentáculos.

Ao ler Jesusalém, ocorreu-me, pela estratégia, o Engenhososo Fidalgo D. Quixote de la Mancha. Cervantes, com a sua obra, erigiu, como todos sabemos, o fundamento do mundo romanesco moderno: a ambiguidade. Não há uma verdade, há muitas verdades. Verdades relativas que se vão entrelaçando, formando um nó que o leitor vai desenlaçando com o prazer ou desprazer, dependendo do engenho do autor. Em Cervantes, D. Quixote sai para o mundo, desfazendo injustiças e protegendo damas, personificadas no amor imaginário pela Dulcineia Del Toboso. Em Jesusalém os personagens saem do mundo e pervagam pelos labirintos da vida interior, esquecendo injustiças e riscando damas da memória. Em Cervantes o Fidalgo D. Quixote, acompanhado do seu escudeiro Sancho Pança, quer endireitar o mundo. Em Jesusalém, Silvestre Vitalício e o serviçal Zacaria Kalach, escudeiro nos modernos dizeres, querem sair da História, da selva dos tempos modernos. Nos dois a viagem. Num, do imaginário à realidade, noutro, da realidade crua, sangrenta, ao imaginário interior.

Algo nos perturba nas primeiras páginas de Jesusalém: o título e os Livros - divisores de capítulos, alusão aos livros biblícos. À partida somos perseguidos por essa imagem secular e tutelar de Jesus, o Cristo de uma moral, de uma teologia. Perguntamo-nos se a alusão aos Livros - Um, Dois e Três -, é o egresso, a saída dos livros canónicos em direcção ao mundo do Cristo descrucificado, ou um artificio da efabulação, um jogo de espelhos? A poeta Sophia de Mello Breyner Andresen não nos ajuda muito ao dizer que “Escuto mas não sei⁄ Se o que oiço é silêncio ⁄ Ou deus”. Mas as dúvidas dissipam-se quando o emblemático Silvestre Vitalício convoca os eremitas e anuncia que a terra da iniciação chamar-se-á Jesusalém, e os que nela irão conviver serão desbaptizados. A excepção do mais novo, por sinal o narrador, os principais personagens da trama convertem-se a nova ordem. Orlando Macara, passa a Tio Aproximado; Olindo Ventura a Ntuzi-sombra; Ernestinho Sobra a Zacarias Kalach; Mateus Ventura A Silvestre Vitalício. O mais novo mantêm-se como mwanito, diminutivo de rapaz em chissena, língua do centro do país, por o pai achar que “…ainda está nascendo”. Formaliza-se, na ordem simbólica, o destino dos personagens, dando, por conseguinte, sinal de partida e coerência ao que Vitalício dissera ao Mwanito, o afinador de silêncios: “…vocês não podem sonhar nem lembrar. Porque eu próprio não sonho, nem lembro.” Quer-se inaugurar uma nova ordem, uma nova gramática, uma sintaxe fora do mundo caótico, desordenado, onde outrora viveram. Para tal é preciso instaurar um mundo, uma humanidade no dizer do autor. Jesusalém é o espaço demarcado, o nicho que se quer diferente. “Um dia , Deus nos virá pedir desculpa, diz Vitalício ao grafar, por cima da tabuleta indicativa de Jesusalém, a frase: “Seja bem-vindo, Senhor Deus.”

A abertura dos capítulos e subcapítulos dos Livros comportam, no meu entender, Salmos – permitam-me invocar o sagrado termo para o romance. Tirando as citações do sociólogo e também poeta francês Jean Baudrillard, e do escritor Herman Hesse, Mia elegeu para seus salmos quatro grandes poetas, sendo três do espaço lusófono- as brasileiras Adélia Prado e Hilda Hilst, e a portuguesa Sophia de Mello Breyener Andresen -, e uma de língua castelhana, a argentina Alejandra Pizarnick. Interessante notar na construção do romance, no jogo de afectos e desafectos, a escolha de mulheres poetas para os cantos, e da mulher mãe, amante, esposa, como desencadeadora da trama romanesca. Este jogo entre os vates dos salmos, e os personagens do romance - maioritariamente masculinos -, dá-nos a dimensão indescritível do mundo efabulatório de Mia Couto. Nos cantos, as musas, as deusas, o sagrado feminino expressando-se na mais elevada linguagem: a poesia. No romance, no texto, a negação do feminino, a desacralização da mulher, a diabolização da criadora da vida. Que é isto senão a anfibologia, o jogo de sentidos, a ambiguidade do texto, a razão da literatura?

Diz a poeta Alejandra Pizarnick: “Yo me levanté de mi cadáver, e fui em busca de quien soy. Peregrina de mí…” No romance, pelo contrário, não se busca a identidade, não se procura o eu, quer-se, isso sim, matar a memória, esquecer o mundo vivido, e invocar uma nova ordem que se fundamente no silêncio. Um silêncio com um Deus que Hilda Hilst alvitra como “ O Deus de que vos falo ⁄ Não é um Deus de afagos ⁄ É mudo. ⁄ Está só…”. Mas é em Sophia de Mello que está o canto primeiro e último, a voz iniciática em “ Sou o único homem a bordo do meu barco. ⁄ Os outros são monstros que não falam, ⁄ Tigres e ursos que amarrei aos remos, ⁄ E o meu desprezo reina sobre o mar. ”, e o canto último em “ Nunca mais amarei quem não possa viver ⁄ Sempre, ⁄ Porque eu amei como se fossem eternos ⁄ A glória, a luz e o brilho do teu ser, ⁄ Amei-te em verdade e transparência ⁄ E nem sequer me resta a tua ausência, ⁄ És um rosto de nojo e negação ⁄ E eu fecho os olhos para não te ver. ⁄ Nunca mais servirei senhor que possa morrer.” Está dito. O anátema a uma realidade cruel, predadora, que nos desumaniza com discursos envenenados, máquinas trituradoras de boas consciências com a efemeridade de sonhos adocicados, é sinal de busca de outros horizontes que a nossa consciência, liberta das cartilhas castralizadoras da história, nos vai ditar nessa longa viagem pelo interior de nós mesmos.

Mia está ciente de que não há rincão neste mundo onde a voz humana não possa chegar. Os tempos modernos anularam barreiras, aproximaram mundos, desfizeram mitos. Não há mais mão autocrática que possa travar, por tempo indeterminado, a barreira da comunicação, o fluxo do pensamento. Em Jesusalém a ponte entre mundos nunca foi totalmente anulada, porque o Aproximado aproximou sempre os mundos, ainda que na vertente material, palpável. O mais interessante neste jogo de luzes e sombras, é a quebra dos silêncios advir do corpo de mulher, duma figura feminina transposta de outros oceanos, como que a provar que o mundo é tão grande e ao mesmo tempo pequeno na confluência dos sentimentos. Se o feminino desencadeou a partida, a fuga, o distanciamento, o mesmo feminino veio aglutinar e encadear outras ligações, outros discursos, outros silêncios, outras anarquias. É a Marta, simbolizando o distante ⁄ próximo, que anuncia ao Vitalício que não é o único a sair do mundo: -“ Caro Ventura, uma coisa lhe posso dizer: não foi só o senhor a sair do mundo.” O mundo está a nossa janela.

Se evoquei Cervantes, fi-lo com a deliberada intenção de dizer que a viagem, a procura de significados , é presença constante desde os antanhos da literatura. Se Cervantes guiuo o seu fidalgo pelas terras da Mancha, Aragão e Catalunha, a busca de verdades, encontrou verdades relativas. Em Mia, a viagem é para a cura. E isso torna-se apodíctico quando o personagem Mwanito, diz: “ –Deixo de ser cego apenas quando escrevo.” A escrita tornou-se orgânica, transformou-se em mais um dos sentidos do corpo. Sem ela a cegueira é incontornável. E para que isso não aconteça é preciso viajar, viajar sempre no barco da escrita. Mia busca sonoridades, sons que a pauta da vida não grafou. E é nessa viagem infinita, nessa incessante busca do som puro que a literatura, o romance inaugurado por Cervantes há quatro séculos, encontra a sua vida, o seu oxigénio. Com Mia, mais que com os inauguradores de correntes, os exegetas do fim do romance, encontramos o prazer da efabulação, o encanto de criar, de amar a palavra, de usufruir o texto.

Fico grato por te ter como lábaro - não o estandarte das iniciais de Jesus Cristo na época de Constantino, a efígie literária nos labirintos do mundo da escrita. Este Jesusalém que se quer como o livro dos livros ensina-nos que nesta selva de desigualdades, de alienação global, de homogeneização de ambições mesquinhas e terrenas, o grande desafio está em abrir até aos limites a grande coutada da vida: a nossa consciência.

Ungulani Ba Ka Khosa
Maputo,23 de Junho de 2009

N.B: Jesusalém - A viagem interior de Mia Couto (texto de Ungulani Ba ka khosa, apresentado no dia do lançamento do livro em Maputo)

CHENY WA GUNE NO MAFALALA LIBRE

julho 13, 2009

Lisboa – Maputo – Berlin

Amanhã 14 de Julho de 2009, as 18h 30, o grupo musical Lisboa-Maputo-Berlin apresenta no jardim do Goethe-Institut em Lisboa” um concerto de música para o mundo.

O grupo musical Lisboa – Maputo – Berlim é constituída por cinco músicos: Céline Rudolph, Chico Fernandes, Gogui, João Gomes e Ruben. Nas digressões a banda é suportada pelos músicos convidados.

Antes do concerto será apresentado em ante-estreia um documentário sobre este projecto que vai ser transmitido pela RTP 2.

Maputo, 30.05.2007
Saiba mais sobre o projecto aqui

julho 09, 2009

ARTE PELA VIDA

Maria Inês Nogueira da Costa -Vice Reitora da Universidade Politécnica
e
Noel Langa artista plástico

São 24 obras de pintura de 12 artistas que farão parte do leilão de amanhã, de 10 de Julho de 2009 no Centro Recreativo e Estudantil da Universidade Politécnica em Maputo.

O que é Arte pela Vida?

Arte pela vida é o título da exposição patente no Universidade Politécnica. Este é o terceiro evento que acontece naquela instituição no âmbito da parceria criada pela Artconnection – Arte Visão entre a Universidade Politécnica e o Núcleo de Arte.

Victor Sousa - referência nas artes plásticas moçambicanas

Saudades deste tipo de iniciativas pois aqui há música, papo e surgem novos amigos.

Saiba mais sobre a iniciativa aqui

Fotos retiradas aqui

julho 06, 2009

Recordando João Paulo (1951 - 2008)

João Frederico Paulo viveu .

Fez viver, viverá para sempre: Boémio ou não.

No Goa ou em outros cantos.

No Cabo ou algures na Austrália...imortal!!

Puto imortalizaste um gajo ...


- João Paulo falando ao Amâncio Miguel no lançamento do livro Marrabentar.



Muitas vezes pude ver João Paulo a cantar, mas poucas vezes participei dos seus aniversários a 5 de julho. Dos aniversários que participei, lembro me aquela noite (ano???) ali no Gil Vicente, acompanhado pelo seu irmão Lot...fantástico espectáculo...


Clique nos títulos para ver os Videos de João Paulo



julho 05, 2009

Festejando - Independência de Moçambique

A data da independência é 25 de Junho, mas a festa foi marcada para 27 de Junho na cidade do Porto, Portugal. Porquê dia 27 de Junho? Resposta simples...Sendo sábado seria fácil juntar os moçambicanos e amigos de Moçambique vindo de Évora, Braga, Coimbra e arredores.

Participamos na plateia para ouvir os temas escolhidos para o debate no âmbito dos festejos da efeméride. Terminado o debate sobre vários assuntos que dizem respeito a Moçambique e a parceria com Portugal chegou a hora de convívio (gastronomia moçambicana, música e dança).

Para acompanhar o prato mais concorrido da noite, Couve com amendoim “MAKOFO” no fundo ouvíamos os Bons Rapazes (Ghorwane)...mas tarde começou o dzukuta/pandza...não faltaram dançarinos ...EU também dei uns passos (dos bons)...tudo foi feito na companhia dos comes e bebes....

Karina Tembe cantou e encantou com o tema “ ELISA”, o DJ proporcionou uma boa selecção de música.

Octávio e Rogério

Carlos Manhiça (Cônsul de Moçambique) e Sara Manhiça (esposa)
no corte do bolo com as crianças de Moçambique e Portugal (continuadores do amanhã)

" Revista Prestigio em Portugal"

Uma visita ao correio electrónico recebo o convite do Consulado de Moçambique sediado no porto e do Refinaldo Chilengue para a participar no lançamento da revista PRESTIGIO, no dia 23 de Junho na cidade do Porto e 24 de Junho em Lisboa, Portugal.

A disponibilidade apenas deu para participar no espaço Moçambique, na cidade do Porto. Foi uma tarde de conversas. Refinaldo com sua máquina no colo ia fotografando os espaços a espera da hora do evento em que ele era o principal actor...

Havia muito que conversar, mas estas coisas de viver longe (Braga) tive que abandonar o evento...Pouco tempo, mas deu para matar saudades de casa pois também estavam no porto estudantes da Escola Nacional de Visuais, ENAV...

No Porto Refinaldo também trouxe as revistas (número 29 – Junho/09) para a plateia e ao lado uma ficha para os futuros assinantes, a aderência foi maior...

Saiba mais sobre a revista visitando a página aqui www.Prestigio.com.mz

R. Chilengue (de camisa azul escuro), Director da Revista Prestigio
atento a iniciativa do jovem

junho 21, 2009

"Bons dias Boas Noites" sobre as ruas de Maputo

A distância tem seu preço. Não permite que estejamos presente em todas realizações artisticas....quem estiver próximo ai vai a exposição "Bons dias Boas Noites" um conceito diferente....

Clique na imagem para ampliar.

A Cooperação Hispano - Moçambicana

A Embaixada de Espanha e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento tem o prazer de anunciar a realização de uma Exposição que comemora o 30º Aniversário das Relações Diplomáticas e a Cooperação entre Espanha e Moçambique. Este evento enquadra-se no programa de actividades culturais, por ocasião da inauguração do I Campus Euro-Africano de Cooperação Cultural.

A exposição estará aberta ao público a partir do dia 23 de Junho até ao dia 30 de Junho na Fortaleza de Maputo de manhã 10h as 12h e a tarde das 14h as 17h.

Espanha e Moçambique mantêm relações diplomáticas desde 1977. Esta exposição faz uma revisão das actuações mais destacadas destes 30 anos de história comum e mostra as linhas principais de acção conjunta entre ambos os países parceiros que estão actualmente em execução.

Flamenco e Poesia no Centro Cultural da UEM

A Embaixada de Espanha e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento escolhram o Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane para apresentar FLAMENCO E POESIA, hoje as 18.30.

Com entrada gratuita, o evento enquadra-se no programa de actividades culturais, por ocasião da inauguração do I Campus Euro-Africano de Cooperação Cultural.

O espectáculo desta noite esta a cargo da companhia Maria Pagés, que vem acompanhada por destacados bailarinos do mundo flamenco, José Barrios e José Antonio, a cantora Ana Ramón e o guitarrista José Antonio Carrillo.

A Companhia oferecerá um espectáculo inspirado nos poemas de grandes escritores como José Saramago, Antonio Machado e Federico García Lorca.