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outubro 15, 2009

LIMITE é a nova criação da CulturArte



A CulturArte estreia a nova criação “LIMITE”, no North Fourth Art Center NM. A estreia será antecedida por uma residência artística da Companhia que inicia no dia 16 de outubro e encerra a 26 de Outubro do corrente ano.

“LIMITE” surge a partir do conceito sobre “Raciocínio 8 ou 80”, relacionado a teoria sobre o transtorno de personalidade limítrofe (TPL), que caracteriza-se pela profunda variabilidade e instabilidade do humor no indivíduo. Neste contexto desenvolve-se um vocabulário e linguagem coreográfica própria, que abre portas a uma reflexão sobre o relacionamento muitas vezes desumano que vivem nas sociedades contemporâneas...remove as diferenças, recoloca-as num mundo co-habitável e interdependente. LIMITE complementa a terceira parte da trilogia (in)dependence que esteve focalizado na pesquisa a volta da dependência psicológica.

Calendário de eventos para Outubro e Novembro 2009:

Nos Estados Unidos
19 a 23 de Outubro – workshop a volta do processo de criação “LIMITE”
23 e 24 de Outubro – Estreia e apresentação pública “LIMITE” North Fourth Art Center NM

Moçambique
2 de Novembro – apresentação pública “LIMITE”, na Fortaleza de Maputo, no contexto da Plataforma de dança

Espanha
4 a 12 de Novembro - workshop a volta do processo de criação “LIMITE” em Cordoba, no contexto ENLACE (encontro para 16 artistas de África e América Latina)


Saiba mais sobre o CulturArte aqui

dezembro 30, 2007

AUGUSTO CUVILAS: Apaga-se a chama de um criador

O DESAPARECIMENTO do bailarino, coreógrafo e professor Augusto Cuvilas constitui uma perda irreparável para o mundo da dança de Moçambique e de Moçambique e de outros pontos do continente e do mundo que tiveram a oportunidade de apreciar e partilhar os seus trabalhos.

Augusto Cuvilas foi morto a tiro na madrugada de sábado por membros da PRM na sua residência no bairro do Triunfo, numa situação tida como de excesso de zelo por parte dos agentes que tinham sido chamados àquele local para acudir o cidadão que acabou sendo a vítima.

O director da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD), David Abílio, disse que Augusto Cuvilas não era uma promessa, mas certeza numa arte em que Moçambique sempre se destacou no panorama cultural nacional.

A quantidade – e qualidade - de trabalhos que Augusto Cuvilas deixa na Companhia Nacional de Canto e Dança, no país e no mundo como legado faz dele um dos maiores coreógrafos do continente africano.

Por outro lado, o prémio que arrecadou como bailarino de África e do Oceano Índico é revelador da importância que Augusto Cuvilas tinha para o mundo do canto e da dança.

Na Companhia Nacional de Canto e Dança, Cuvilas não só foi coreógrafo e bailarino, mas também, sobretudo, professor. “Isso significa que o nível técnico ostentado hoje pela nossa Companhia é devido à sua persistência. Augusto Cuvilas trabalhou para elevar o nível dos seus colegas, isto desde os primeiros momentos em que ainda era estudante em Cuba. Ele veio nos dizer que para além do que estava a estudar havia descoberto uma outra componente em si que era a da criação. E quando veio de férias criou a sua primeira grande obra de sucesso, ao mesmo que se ofereceu para trabalhar na Companhia como professor e coreógrafo”, apontou.

De acordo com David Abílio, quando a CNCD completou 15 anos, Augusto Cuvilas ganhou uma bolsa para ir fazer a licenciatura em dança, tendo sido essa sua bagagem que se aplicou na comemoração dos anos da CNCD. “Augusto Cuvilas orientou trabalhos para os 20 anos e sob sua direcção outra vez continuamos a caminhar com sucesso”.

Ganhou ainda bolsa de estudo para fazer o mestrado em dança, tendo depois regressado à Companhia como director artístico, cargo que ocupou até recentemente.

“Para nós parecia que estava a prever o fim dele. Quando no ano passado criou a obra ‘El Tango dela muerte’ (O Tango da Morte) que ele próprio interpretou e no mês passado criou a obra ‘Ponto e Final’. Isso perturba-nos bastante e é mais ainda doloroso porque foi uma morte muito violenta”, disse o director da CNCD.

No nosso país, David Abílio, a dança ainda não é tida como uma expressão artística elevada, como o são a literatura, a música e as artes plásticas, mas “é importante ressalvar que Augusto Cuvilas era a figura mais consagrada fora do país porque é um dos poucos mestrados em África e dos coreógrafos mais inteligentes. É por isso que os franceses tinham feito uma grande aposta nele, pois viram que ele tinha uma visão ampla das coisas e que estava a elevar a dança para o estatuto mais alto no nosso país e no continente africano. É lamentável”.

Para o artístico plástico, professor de arte e curador do Museu Nacional de Arte Jorge Dias, a morte de Augusto Cuvilas constitui uma perda para o mundo da criação, particularmente para o das artes cénicas. Augusto Mateus Cuvilas era um coreógrafo ímpar e inigualável, daí que a sua morte vai criar um vazio muito grande a nível das artes moçambicanas.

“Augusto Cuvilas era um daqueles coreógrafo que ultrapassava os limites da dança. O seu trabalho permite que todos os artistas visuais se alimentem nas suas coreografias. São coreografias transversais a nível dos suportes, linguagens e conceitos”, disse Jorge Dias.

O curador do Museu Nacional de Arte diz que vê nas coreografias de Augusto Cuvilas material denso e que permite a sociedade moçambicana continuar a alimentar-se na componente do canto e da dança, bem como para além dos limites da dança.

“Os últimos trabalhos de Cuvilas são mais subjectivos e bastante interventivos, a nível social, cultural e político”, sublinhou Dias.

De acordo com a directora nacional adjunta da Cultura, Cândida Mata, a morte de Augusto Cuvilas constitui um revês bastante grande a nível nacional e africano, pois este é um jovem que há muito havia ultrapassado as fronteiras de Moçambique.

Augusto Cuvilas é um jovem que iniciou na nossa Escola Nacional de Dança, onde bebeu de tudo o que havia. Posteriormente ganhou uma bolsa para ir estudar em Cuba, “porque vimos que havia nele muito ainda por explorar. Agora só estávamos à espera que ele continuasse a nos oferecer aquilo que aprendeu, algo que até estava a fazer muito bem”.

Cândida Mata referiu-se ao facto de Cuvilas ter trabalhado para lá de Moçambique. Ele trabalhou também para o continente africano e para o mundo. Era um modelo para nós e um símbolo da dança tradicional e contemporânea à escala continental.

“E numa situação em que ainda não temos ainda muitos artistas formados perdermos uma figura como o Augusto Cuvilas é bastante doloroso. Cortaram-nos os braços e as pernas. A família africana a nível da cultura, particularmente da dança, está de luto. Acho que temos que pensar numa forma de homenagear o Cuvilas, fazendo uma coreografia à si dedicada. Penso também que a Companhia Nacional de Canto e Dança também fará isso como uma forma de o recordar e perpetuar o seu nome”, disse Cândida Mata.

Foto: Arquivo Jornal Noticias

Texto de: FRANCISCO MANJATE