Esteve com Bill Clinton…mas me parece que Gonçalo nao levou consigo o Saxofone para deixar o Clinton passear a sua classe…Huuum o Saxofone já esta nas Mãos do Morreira Chonguica….
Segundo a autora do livro, Rosa Langa, o lançamento da obra em Portugal insere-se nas parcerias entre a Embaixada de Moçambique e a Petromoc através da sua responsabilidade social que visa a divulgação das artes moçambicanas no mundo assim como a promoção da mulher artista e com apoio da RDP África
A obra será lançada no dia das Forças Armadas de Moçambique, 25 de Setembro, na Embaixada de Moçambique em Lisboa, à partir das 16h.
Programa
16:00 - Mestre de Cerimónia: Dr Augusto Generoso (Coordenador para a área cultural) anuncia o Embaixador de Moçambique para breves palavras em relação ao feriado nacional
16:20 min - Desfile de Moda com trajes militar moçambicano, organizado por estudantes moçambicanos em Portugal - Núcleo de Lisboa
Depoimentos relacionados com a data: Tenente Paulino Alface (antigo combatente da Luta Armada p/ a libertação de Moçambique)
17:30 min - Mestre de cerimónia anuncia a Apresentação pública do livro da jornalista Rosa Langa
17: 32 min - Mestre de cerimónia anuncia o jornalista angolano da RDP Africa Guilherme Galiano responsável pela Apresentação da obra
17:50 min - Mestre de cerimónia convida a autora para breves considerações
Não sendo uma autobiografia, A Bíblia dos Pretos revela os detalhes do seu autor. Ele não consegue se despir da frontalidade com que olha e diz as coisas. Não podia existir uma melhor caracterização que a do seu editor António Cabrita, na revista brasileira Magma: aguerrido polemista.
Teria provado o estatuto de aguerrido polemista quando abalou a paz dos escritores moçambicanos, passando o certidão de óbito à literatura nacional. Aplaudido pelos irreverentes, principalmente jovens escritores e jornalistas, em busca de espaço, foi vítima de ataques dos mais velhos, que não queriam nunca que os seus fatos se enchessem de pó nessa discussão. No lugar de baixar a cabeça ao jeito de um menino arrependido, como rapaz criado nas barras do Limpopo, cerrou os punhos e convidou os seus adversários para a luta porque tinha uma certeza: num país onde a palavra de ordem é resgatar a auto estima, o panorama literário é vergonhoso e nauseabundo, teria comentado uma vez.
Auto estima é uma das suas principais características.
Mediocridade literária
Não se deixa levar por palavras mansas para ir contra os seus princípios. É nesta base que a literatura seria muito mais que um exercício de colocar palavras sobre o papel. Aliás, foi nesta visão que assassinou a literatura moçambicana porque no seu entender os escritores deviam deixar de se apresentar como tal simplesmente porque escrevem e passarem a ser, no verdadeiro sentido do termo um papel social porque, ser escritor é mergulhar, como diz a canção, para além do horizonte.
Concebo a arte e a literatura em particular como uma força de transformação da realidade social a partir da interioridade de cada um. Mas para que tal aconteça é preciso que se dê um salto qualitativo da literatura medíocre que praticamos em Moçambique, para uma literatura que reflecte a revolta permanente do escritor perante a vida indigna que esta sociedade leva. O pendão de arte para mim é a liberdade e a revolta. O Escritor Francês Alberto Camus sentenciou esse facto ao referir que a arte mais livre e mais revoltada é a mais clássica.
O clássico também está em não se prender em estilos ou em temas. Não sei ao certo porquê que escrevo, mas penso que há uma miscelânea de razões, há uma inquietação que deixa um certo vazio na alma da inutilidade da vida sem a literatura, há um determinado prazer e uma dor profunda que acompanham, que geram a criação literária; quanto ao género de coisas, escrevo tudo, porque em literatura tudo está em tudo. A poesia está em prosa e vice-versa.
Profanação
A Bíblia dos Pretos é a mistura de reivindicação de espaços por um grupo. O enaltecimento do negro supera a ideia de raça, que é completamente descartada. É mais um esforço de presença que sustenta a tese de que se pode ser igual sendo-se diferente. Também se anula o anti-cristianismo que se lhe pode imputar, não simplesmente pelo seu autor vir de uma base religiosa cristã, mas porque retira o sentido religioso deste Cristo para espreitar as fronteiras entre o permitido e o proibido.
A Bíblia dos Pretos, que sai com o carimbo da Indico, é um livro de reivindicação de um lugar num mundo em que os fracos não têm espaço.