janeiro 23, 2008

SOMOS INTERLOCUTOR CERTO ENTRE ARTISTAS E GOVERNO – afirma Gilberto Cossa, novo presidente do Núcleo de Arte

DOIS anos não são suficientes para, estando à frente dos destinos de uma instituição como o Núcleo de Arte, realizar na plenitude todas as acções a que se propõe. Porém, os mesmos anos também não são poucos, isso desde que se definam prioridades e se leve o trabalho a sério.

Texto completo, confira aqui

janeiro 18, 2008

MAESTRO JUSTINO CHEMANE RECORDADO NO CINE-ÁFRICA

ASSINALA-SE amanhã (19/01/08) o quarto aniversário do desaparecimento físico do maestro Justino Chemane. Com efeito, o Cine-África vai acolher amanhã uma cerimónia de exaltação da vida e obra daquele que é tido como o maior maestro de todos os tempos na História de Moçambique. E o momento mais alto deste acto, com entradas gratuitas e início agendado para as 17.00 horas, será o lançamento do CD “Homenagem ao Maestro Justino Chemane”. Mas também foram convidados vários grupos de canto coral moçambicanos, grande parte dos quais aprenderam os dotes do canto com o maestro.

Grupo de Canto e Dança Khanimambo, Grupo Coral os Anjos, África Voice, Amogospel são alguns dos que marcarão presença no palco do Cine-África.

Entretanto, ainda amanhã haverá uma cerimónia de deposição de uma coroa de flores na Praça dos Heróis, a partir das 8.00 horas, local onde repousam os seus restos mortais.
Como homem de cultura, Justino Chemane foi o compositor do primeiro Hino Nacional “Viva, Viva a Frelimo”, que vigorou durante 27 anos no país, e participou na elaboração do mais recente, “Pátria Amada”.

Cândida Mata, directora nacional adjunta da Cultura, disse ao nosso Jornal que o repertório musical do maestro Justino Chemane é suficiente para produzir mais de cinco discos, mas para começar será lançado apenas um.

Nascido em 1923, em Chidenguele, na província de Gaza, Justino Sigaúle Chemane perdeu a vida a 19 de Janeiro de 2004, vítima de paragem cardíaca a caminho do Hospital Central de Maputo. Na altura da sua morte o maestro encontrava-se a recuperar de uma fractura no pé esquerdo depois de ter ficado hospitalizado durante cerca de dois meses no Hospital Central de Maputo após um atropelamento por uma viatura de transporte semicolectivo de passageiros na cidade de Maputo.

Justino Chemane era funcionário do Ministério da Cultura e em 2003 venceu um concurso para a criação do hino da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Após a sua morte foi decretado luto nacional e a Bandeira hasteada à meia haste. Depois de elevado ao estatuto de Herói Nacional, os seus restos mortais foram depositados na cripta consagrada aos heróis moçambicanos, em Maputo.

As suas canções sempre foram um instrumento importante na exortação para os moçambicanos se erguerem com orgulho e cumprirem as tarefas que se impõem ao seu desenvolvimento, e para que, unidos, escutando a voz dos seus heróis, que por si deram as suas vidas, levantassem bem alto o seu país, empenhando-se nas tarefas que sublinhavam o facto de os donos de Moçambique serem os próprios moçambicanos.

O seu nome foi atribuído a uma das ruas na capital moçambicana, após aprovação de uma proposta apresentada nesse sentido pelo Conselho Municipal da Cidade de Maputo.

janeiro 16, 2008

MORREU JORNALISTA SAIDE OMAR

O JORNALISMO moçambicano está de luto. Morreu na manhã de ontem, ( 15/01/2008) vítima de doença, Saíde Omar, veterano repórter da Rádio Moçambique, que ao longo da sua carreira de três décadas se notabilizou na área do desporto, em particular do futebol.
Saíde Omar, que morreu aos 49 anos de idade, ingressou na Rádio Moçambique em 1976, como locutor estagiário. Em 1999 viria a atingir a categoria de editor, o topo da carreira, tendo assumido as funções de chefe da Redacção Desportiva entre 1997 e 2001.

A sua paixão pelo futebol levou-o a que, durante três anos consecutivos (1999, 2000 e 2001) fosse eleito melhor jornalista desportivo radiofónico da Taça Castle/Cosafa.

Pelo desempenho profissional demonstrado durante a sua carreira, Saíde Omar foi louvado pelo Conselho de Administração da Rádio de Moçambique, em 1999 e 2000.
Foto e Texto: Jornal Noticias

janeiro 15, 2008

AMOR DE ZINCO 7


A água desce
cresce
aos poucos levanta
entra
dentro do ventre
entre
as paredes do útero:
outro
dévio da vida,
ainda
desce percorre
corre.
Devagar o óvulo
tolo
engrandece o ventre
adere
ao convívio da célula
que pula
e junto da água
desagua
do ventre outro espaço
possesso,
ouve-se eclampse
é outra narrativa que se
aborta.

In jorge matine, "Abutres de Amor" ( Ed. Moura pinto, porto, 1999)

janeiro 12, 2008

Do Brasil, Ricardo Riso fala dos homens das artes e letras moçambicanas:
Australírica numa variação de nyau, 2004
resíduo de mármore, cola vulcano 7,
médio vinílico, pasta acrílica e acrílico s/ tela1.45 X 1.78 m

janeiro 04, 2008

UM NOVO BLOGUE

Está com plano de conhecer Maputo? ou já está em Maputo?
Então visite este blogue pode ser uma sugestão para divertir e fazer novos amigos.
Clik aqui Gil Vicente

dezembro 30, 2007

AUGUSTO CUVILAS: Apaga-se a chama de um criador

O DESAPARECIMENTO do bailarino, coreógrafo e professor Augusto Cuvilas constitui uma perda irreparável para o mundo da dança de Moçambique e de Moçambique e de outros pontos do continente e do mundo que tiveram a oportunidade de apreciar e partilhar os seus trabalhos.

Augusto Cuvilas foi morto a tiro na madrugada de sábado por membros da PRM na sua residência no bairro do Triunfo, numa situação tida como de excesso de zelo por parte dos agentes que tinham sido chamados àquele local para acudir o cidadão que acabou sendo a vítima.

O director da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD), David Abílio, disse que Augusto Cuvilas não era uma promessa, mas certeza numa arte em que Moçambique sempre se destacou no panorama cultural nacional.

A quantidade – e qualidade - de trabalhos que Augusto Cuvilas deixa na Companhia Nacional de Canto e Dança, no país e no mundo como legado faz dele um dos maiores coreógrafos do continente africano.

Por outro lado, o prémio que arrecadou como bailarino de África e do Oceano Índico é revelador da importância que Augusto Cuvilas tinha para o mundo do canto e da dança.

Na Companhia Nacional de Canto e Dança, Cuvilas não só foi coreógrafo e bailarino, mas também, sobretudo, professor. “Isso significa que o nível técnico ostentado hoje pela nossa Companhia é devido à sua persistência. Augusto Cuvilas trabalhou para elevar o nível dos seus colegas, isto desde os primeiros momentos em que ainda era estudante em Cuba. Ele veio nos dizer que para além do que estava a estudar havia descoberto uma outra componente em si que era a da criação. E quando veio de férias criou a sua primeira grande obra de sucesso, ao mesmo que se ofereceu para trabalhar na Companhia como professor e coreógrafo”, apontou.

De acordo com David Abílio, quando a CNCD completou 15 anos, Augusto Cuvilas ganhou uma bolsa para ir fazer a licenciatura em dança, tendo sido essa sua bagagem que se aplicou na comemoração dos anos da CNCD. “Augusto Cuvilas orientou trabalhos para os 20 anos e sob sua direcção outra vez continuamos a caminhar com sucesso”.

Ganhou ainda bolsa de estudo para fazer o mestrado em dança, tendo depois regressado à Companhia como director artístico, cargo que ocupou até recentemente.

“Para nós parecia que estava a prever o fim dele. Quando no ano passado criou a obra ‘El Tango dela muerte’ (O Tango da Morte) que ele próprio interpretou e no mês passado criou a obra ‘Ponto e Final’. Isso perturba-nos bastante e é mais ainda doloroso porque foi uma morte muito violenta”, disse o director da CNCD.

No nosso país, David Abílio, a dança ainda não é tida como uma expressão artística elevada, como o são a literatura, a música e as artes plásticas, mas “é importante ressalvar que Augusto Cuvilas era a figura mais consagrada fora do país porque é um dos poucos mestrados em África e dos coreógrafos mais inteligentes. É por isso que os franceses tinham feito uma grande aposta nele, pois viram que ele tinha uma visão ampla das coisas e que estava a elevar a dança para o estatuto mais alto no nosso país e no continente africano. É lamentável”.

Para o artístico plástico, professor de arte e curador do Museu Nacional de Arte Jorge Dias, a morte de Augusto Cuvilas constitui uma perda para o mundo da criação, particularmente para o das artes cénicas. Augusto Mateus Cuvilas era um coreógrafo ímpar e inigualável, daí que a sua morte vai criar um vazio muito grande a nível das artes moçambicanas.

“Augusto Cuvilas era um daqueles coreógrafo que ultrapassava os limites da dança. O seu trabalho permite que todos os artistas visuais se alimentem nas suas coreografias. São coreografias transversais a nível dos suportes, linguagens e conceitos”, disse Jorge Dias.

O curador do Museu Nacional de Arte diz que vê nas coreografias de Augusto Cuvilas material denso e que permite a sociedade moçambicana continuar a alimentar-se na componente do canto e da dança, bem como para além dos limites da dança.

“Os últimos trabalhos de Cuvilas são mais subjectivos e bastante interventivos, a nível social, cultural e político”, sublinhou Dias.

De acordo com a directora nacional adjunta da Cultura, Cândida Mata, a morte de Augusto Cuvilas constitui um revês bastante grande a nível nacional e africano, pois este é um jovem que há muito havia ultrapassado as fronteiras de Moçambique.

Augusto Cuvilas é um jovem que iniciou na nossa Escola Nacional de Dança, onde bebeu de tudo o que havia. Posteriormente ganhou uma bolsa para ir estudar em Cuba, “porque vimos que havia nele muito ainda por explorar. Agora só estávamos à espera que ele continuasse a nos oferecer aquilo que aprendeu, algo que até estava a fazer muito bem”.

Cândida Mata referiu-se ao facto de Cuvilas ter trabalhado para lá de Moçambique. Ele trabalhou também para o continente africano e para o mundo. Era um modelo para nós e um símbolo da dança tradicional e contemporânea à escala continental.

“E numa situação em que ainda não temos ainda muitos artistas formados perdermos uma figura como o Augusto Cuvilas é bastante doloroso. Cortaram-nos os braços e as pernas. A família africana a nível da cultura, particularmente da dança, está de luto. Acho que temos que pensar numa forma de homenagear o Cuvilas, fazendo uma coreografia à si dedicada. Penso também que a Companhia Nacional de Canto e Dança também fará isso como uma forma de o recordar e perpetuar o seu nome”, disse Cândida Mata.

Foto: Arquivo Jornal Noticias

Texto de: FRANCISCO MANJATE

Só o que aconteceu - Morte brutal de Augusto Cuvilas

MORREU de forma violenta Augusto Cuvilas, bailarino, coreógrafo e professor da Companhia Nacional de Canto e Dança. Caro leitor, tire o chapéu, pare de mascar “chiclete” e apague o cigarro. Leia com atenção as palavras que se seguem, pertencem ao malogrado: “Tragédia de um povo, tragédia essa que ninguém ousa comentar. Será que estamos diante de cegos? Creio que não, talvez pudéssemos falar de fanatismo. Quem sabe? Nós definimos a verdade. Estamos numa guerra chamada ambição, onde temos que atingir inocentes para… para… não sei para quê, e será que tu sabes? Estou seguro que tu sabes, porque tu estás seguro que eu sei, mas estamos doentes, feridos, corrompidos, convencidos, sem palavra? Talvez sem comentários. Um mundo hipócrita! Onde os hipócritas sobrevivem”? (fim de citação). Escreveu em 2001 para o catálogo de apresentação da obra “De Costas Viradas à Verdade”, da sua autoria, exibido em Lisboa no âmbito do ciclo de “Nova Dança Africana - Projecto Danças na Cidade.”

A última vez que o vi foi há cinco dias. Ele estava daqueles seus óculos ovais escuros; trazia uma camisete preta justa, um fato de treino igualmente preto, a sua inseparável mochila à tiracolo e umas sandálias castanhas. Ele vinha a conduzir e ”dançava” à procura de um espaço para estacionar o seu elegante “4X4” preto ali na faixa central da Avenida 25 de Setembro, defronte do Café Continental e Cinema Scala em Maputo. Por alguns instantes fiquei a “assisti-lo” naquela “performance” de tentar “enfiar-se” entre outras viaturas ali estacionadas. Não foi uma “coreografia” fácil. Dir-se-ia foi uma “dança-drama” conseguida após aturados “movimentos”, e lá ele se encaixou..

Abriu a porta e, antes de pousar o pé direito no chão, deu para ver as sandálias quase cansadas que gostava de calçar. De seguida retirou do banco traseiro a sua mochila que a pendurou nas costas. O tráfico era intenso e condicionado (os homens de reparação da estrada na “25 de Setembro” trabalhavam a todo o gás) num dia, cujo sol era tal, como diz o outro, de “assar os passarinhos nas árvores”.

Por uns instantes Cuvilas ficou ali “empeado” junto do seu “4X4” preto, à espera de saltar a estrada para o outro lado do passeio do Cinema Scala. Foi então que vi com interesse aquela imagem cujo fundo era um cenário belíssimo: um “rastaman” de corpo esguio usando uns chinelinhos e mochila às costas junto de um carão preto, da cor do luto. Aquilo era um instantâneo lindíssimo.

E como eu dizia, não aguentei com aquela imagem de contraste e, num rápido reflexo, puxei da minha máquina fotográfica e quando ia a disparar, eis que acende uma luz vermelha intermitente, com a mensagem “substitua as pilhas”. Ou seja, a bateria estava descarregada. E eu respondi (à máquina), “lixa-te! Logo agora que preciso desta foto, pá?! Caramba”.

Perdi aquele instantâneo. E afinal, jamais voltaria a obter aquela foto de Augusto Cuvilas, um homem que me impressionava aquele seu ar de eterna simplicidade. Ele nunca transporta nos ombros a vaidade de ser uma vedeta, respeitada dentro e no estrangeiro. O malogrado nunca se colocara em posição de “inacessível”, não obstante o seu grau de formação, licenciou-se numa das maiores universidades parisienses. Tinha ar de um tipo fino e muito educado. Afinal ele era fruto de muitas influências, ganhas através de múltiplos contactos com culturas e raças do mundo inteiro. Entretanto, há um aspecto a ter em conta, é que o facto de ele ser uma pessoas simples, não significava que era de lugar-comum. Cuvilas era cortês e homem de bem. Um apaixonado pelas artes cénicas.

Era igualmente um homem de poucas falas (tímido) mas de palavras sábias, que caíam dos seus lábios dentro de uma voz mista (meio rouca e meio feminina). Percebi isso na última entrevista que ele concedeu ao “Notícias” e que tive a honra e privilégio de conversar com ele ali no Centro Cultural Franco-Moçambicano no decorrer do II Festival Internacional de Dança Contemporânea, onde foi exibida a obra da sua autoria “Ndzudzi”, evento que reuniu cerca de 40 companhias de dança de várias partes do mundo.

A informação sobre a morte de Augusto Cuvilas chegou até mim via SMS. Não dei fé, “mandei passear”. Até porque estava fresco do mediático boato sobre a morte de “Anibalzinho” propalado também via SMS-celular. Mas, infelizmente, a confirmação nua e crua deixou-me derrubado. Era um facto.

Embora sejam escassas as informações sobre a sua morte, conta-se que tudo terá acontecido na noite de sexta-feira. O malogrado sentiu um clima suspeito, de gente a cercar a sua residência para o assaltar. Cuvilas tratou imediatamente de pedir socorro à Policia. Por outro lado, encetou vários contactos nesse sentido, a pessoas próximas da sua relação. Entretanto, a chamada que caiu na Policia teve a seca resposta de alegada falta de transporte para lá se deslocar (precisamente quando “assistimos” há dias na “TV” um reforço de viaturas disponibilizadas pelo empresário Ned Satar, da Autocar, para usar nesta quadra festiva). Nisso, uma das pessoas próximas de Cuvilas, igualmente contactada pelo malogrado, acabaria por providenciar uma viatura que a Polícia usaria para chegar à residência de Augusto Cuvilas, que não via a hora de ser socorrido já que se encontrava flanqueado.

Até aqui, tudo decorria sem grandes problemas.

Com efeito, foi ao chegar no local onde a vítima, Augusto Cuvilas, acompanhado pelo seu irmão mais velho e o guarda nocturno aguardavam ansiosamente pelo socorro da Polícia, que de repente ouve-se um tiroteio. Patrão e empregados indefesos caíram de bruços. Cuvilas tombava ali para nunca mais voltar a erguer-se. O seu corpo, que era um instrumento de trabalho, por excelência, jazia sem qualquer “movimento”.

Calava-se assim na flor da juventude, com apenas 36 anos, uma das maiores referências das artes cénicas do país e da região.

Consumado o tiroteio, verificou-se que afinal se tratara de um erro. Aqueles ali estatelados afinal não eram os supostos assaltantes, mas sim eram as vítimas que procuravam socorro... Tinham sido simplesmente confundidos! Incrível!

Enquanto o guarda era levado para cuidados intensivos à Sala de Reanimação, Augusto Cuvilas era transportado inerte para a morgue do Hospital Central de Maputo...

Mais palavras? Para quê?

Paz à sua alma.

Texto de Albino Moises extraído do Jornal Noticias
moisesalbino@yahoo.com.br

dezembro 19, 2007

MAJESCORAL E O CONCERTO DE NATAL



As informações indicam que o concerto é um presente de natal (gesto carinhoso) para aos fãs, amigos, simpatizantes do Majescoral.

Sempre com algo diferente, desta vez o Majescoral apresenta um concerto que junta o clássico, o contemporâneo e o tradicional. Estão convidados para animar o concerto de natal o grupo de crianças com vozes angelicais ( os nossos anjos); a coreógrafa da Companhia Nacional de Canto e Dança Maria Helena Pinto, o trovador e encenador Alvim Cossa e do pianista americano Geoffrey

Dia: 21 de Dezembro de 2007
Hora: 19h
Local: Cine- África

GLÓRIA A ARÃO LITSURI

NUNCA será redundante falar dos lingotes de ouro. Ou evocar os degraus da escada que nos levará para os arredores do céu. Ou ao céu. Moisés, ao receber a ordem de ir ao Egipto – pela voz de Deus – libertar os filhos de Israel, contrapôs ao Criador do Céu e da Terra dizendo: porquê tenho que ser eu a ir ao Egipto libertar os filhos de Israel? E Deus trovejou: porquê não tens que ser tu a ir ao Egipto libertar os meus filhos?
E Moisés retorquiu: mas eu sou gago. E Deus retornou: quem te deu a gaguez fui eu. Ademais, quem falará – através de ti – quando chegares ao reduto de Faraó, será teu irmão Arão. Agora vá.

Moisés foi – em obediência a Deus - com a sua gaguez e Arão, seu irmão, falou através dele, até ao rebentamento dos ferrolhos e das grades e das grilhetas. Ou seja, Arão Litsuri recebeu a missão importante - ou pelo menos a missão - de libertar os corações com a música. E tem-no feito desde que Deus lhe apôs a voz e a destra nas mãos para tocar a guitarra. Até hoje. Que sua mãe canta através deste que celebrizou Malangavi ya Ndzilo.

Ele convocou para a última quinta-feira no cine-Teatro África, o seu saber e, juntando-se a uma banda de cristais, celebrou o lançamento de duas obras da intelectualidade: nomeadamente o disco “Arão Litsuri: Dez Anos Depois” e o livro “Há Negros na Bíblia?” .

Foi uma cerimónia inédita, que teve também a missão de nos fazer recuar musicalmente para os anos 70/80 quando, ainda jovem, Arão juntava-se a outros da sua geração, como Filipe Comé, Hortêncio Langa, João Cabaço, Abel Chemane, Adérito Gomate e muitas outras figuras daquele tempo. Que se mantêm até hoje.

Texto completo de ALEXANDRE CHAÚQUE ( Jornal Noticias ) veja aqui