novembro 29, 2007

LETRAS E DESENHOS ENCARCERADOS: A RECLUSÃO LIBERTADORA NA ARTE DE JOSÉ CRAVEIRINHA E MALANGATANA VALENTE*

A visão de Ricardo Riso em relação a produção artística de José Craveirinha, com o livro Cela 1, e a série Desenhos de prisão, de Malangatana Valente.

*Comunicação apresentada no III Encontro de Professores de Literaturas Africanas, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no dia 22/11/2007.

Comunicação completa aqui

Navegador Solidario entrevista bloguistas dos PALOP

Mãos de Moçambique responde questões do Navegador Solidário.
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novembro 27, 2007

KARINGANA WA KARINGANA…

Karingana Wa Karingana. Sempre foi assim, esse é o marco da nossa tradição da oralidade… assim se contavam as estórias à volta da fogueira.

Karingana Wa Karingana. Assim foi como Mingas terminou o espectáculo de consagração dos seus 30 anos de carreira que, infelizmente, deram para apenas em um CD ela apelar “Vuka Africa” (acorda África!).

Pois então… Karingana Wa Karingana (Era uma vez), uma carreira de 30 anos contada, alias cantada, briosamente, numa só noite, num espaço de quase três horas… Num espectáculo de canto e dança maravilhosamente produzido (pelo mano, cada vez mais mestre, Jimmy Dludlu) e interpretado (pela orquestra moçambicano-sul-africana que acompanhou Mingas – deixo para o Ouri Pota os pormenores técnicos de quem esteve num e noutro instrumento), Mingas resumiu o brilho de uma carreira que ainda vai dar muito…porque ela é a voz feminina de top da música moçambicana… o que já a relega perigosamente para o universo das Divas.

Era uma vez, um espectáculo cinco estrelas, aliás, para deliciar os cinco sentidos:

- A visão (a cor, luz e “confettis” que decoraram o palco, as vestes afro “made in projecto Maciene da FDC” que serviram de traje aos artistas em palco e, porque não, o espectáculo em si que Mingas e as bailarinas da CNCD na arte de dançar)

- A audição (os sons oferecidos pelos instrumentistas e pelos coristas, Naldo, Sheila Jesuíta e Xizimba, a passagem de uma para outra música e a mudança de ritmos e compassos sem quebras…exemplarmente dirigidas pelo “toque de Midas” de Jimmy…para deleite de bons ouvidos, ouvidos adultos)

- O tacto (quem não pode tocar Mingas e sua banda, tocou-se mexendo-se e remexendo-se na dança, cá nas bancadas…porque a noite foi de boa marrabenta, que alguns entraram mesmo em transe…outros julgaram que estavam a levitar…outros atingiram o Nirvana!)

- A fala (pelo canto, belo canto…de Mingas e acompanhada em coro por quase toda assistência, até mesmo por aqueles que de chope, changane e ou ronga pouco entendem)

- O paladar (quem não saboreou os matori-tori oferecidos pela produção lá mesmo para o fim, saiu do “Franco” sem poder dizer com toda a propriedade que “É uma Delícia!”)

Era uma vez, um espectacular… espectáculo que começou a calar-nos “de profundis”, em “valsa lenta” com o jubilado “A Wasati Va Lomu” e depois percorreu todos os temas “hit” de e/ou interpretados por Domingas Salatiel Jamisse ao longo de 30 anos de música, quais “N’weti” (pra marrabentar), e as baladas “Mamana” e “Alirandzo”, “Uta Ti Sola”, “Vuka Africa”…e depois teve aquele momento fenomenal de duas vozes sonantes, contrastantes mas não dissonantes em Duo…com Dua, essa voz “bluesy” sem igual no panorama musical moçambicana com o enternecedor “Ainda És Meu Irmão”!

E, como em todas as estórias da tradição oral moçambicana, a noite de sagração dos 30 anos da carreira musical de Mingas terminou apoteoticamente com “Karingana Wa Karingana, ho-ho-ho karingana/xikongolotwana, hum ka mamane/”… num baile marrabentado que mereceu o pedido de “bis” do público, a que Mingas e a sua banda viraram-se proibidos de dizer não. E dissemos que o espectáculo terminou como começam os contos da nossa tradição, ou como começa a tradição dos nossos contos. Sim, terminou como se começa (Karingana Wa Karingana) precisamente porque cremos que aquela noite marcou o recomeço da carreira de Mingas, que muito tem a dar aos moçambicanos e a África musicalmente.

Aliás, Mingas deve-nos a todos um álbum em que reuna N’weti, A Vasati Va Lomu, Alirandzo, Karingana Wa Karingana e outros temas velhos e novos que queremos ter nas nossas discotecas de casa, de família, porque Mingas tem muita mensagem para essa família Africana que somos…

Karingana Wa Karingana…era uma vez um espectáculo espectacularmente produzido, dirigido e interpretado para o qual não há palavras o suficiente para caracterizá-lo, senão o refúgio em uma palavra para qualificar a nossa incompetência em narrá-lo de tão deslumbrados: inefável! Kanimambo, Mingas!

P.S:
Jojó (teclados), Bokani (piano), Jorge César, Simão Nhancule e Rolando (Percussão, Stélio (bateria), Dodó (guitarra),Carlos Gove (viola baixo), Ivan Mazuze e Neil (Saxofone), Xizimba, Sheila Jesuíta e Naldo (coros).

Texto: Milton Machel (do blog Estado da Media)

Fotos: Ouri Pota

novembro 22, 2007

MINGAS.... 30 ANOS DE CARREIRA

Existem várias formas de dizer obrigado a quem nos ajuda. Mingas prefere dizer obrigado cantando, dai que agendo o primeiro obrigado para hoje 23 de Novembro de 2007, as 20:30h, um concerto Musical no Centro Cultural Franco Moçambicano.

O presente concerto que faz parte de um conjunto de três apresentações agendadas O Franco Moçambicano-23/11, Coconuts 30/11, e bairro do Zimpeto 15 de Dezembro, é um brinde aos seus fãs, amigos e parceiros que directa ou indirectamente deram um apoio simbólico para que Mingas pudesse progredir na sua carreira e ser considerada cantora e compositora de todos os Moçambicano”.

Para a noite de 23 de Novembro no CCFM, a cantora será acompanhada pel sua banda habitual (Nondje) que ao lado de instrumentistas moçambicanos a residirem em Cape Town farão a festa dos 30 anos de carreira de Elisa Jamisse (Mingas).

A iniciativa coordenada pela SONARTE, visa enaltecer o papel da cantora, que durante muitos anos soube partilhar os momentos bons e dificies que posteriormente deram contributo para a sua afirmação na música e no mundo das artes.

Natural de Maputo, tem disponível no mercado nacional o seu primeiro CD a solo, Vuka Africa , com 13 temas, dentre os quais contém também registos de temas a quando a sua integração no Grupo RM, Orquestra Marrabenta Star de Moçambique e Amoya.

Digressões escalando Portugal, Cabo Verde, Brasil, França, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Noruega, Dinamarca e Suécia, cantando ao lado de nomes como Miriam Makeba, Harry Belafonte, Hugh Massekela, Paul Simon, Manu Dibangu Gilberto Gil e Hermeto Pascoal, mostra a maturidade que a cantora possui, dai que merece também ouvir o seu obrigado num deste concertos (CCFM, Coconuts e bairro do Zimpeto).

Leia aqui a entrevista com Mingas feita por Gil Filipe do jornal Noticias

novembro 19, 2007

Futuro da música africana nas mãos de Chico António

CHICO António é um alquimista da música moçambicana. Escreveu isso um jornalista francês que viu o nosso compatriota actuar – há cerca de um mês - na terra de Charles de Gaulle. Não resistiu em dizer que o futuro da música africana está também nas mãos do nosso compatriota.


Veja o artigo completo aqui


Fonte:
Texto: Alexandre Chaúque, Jornal Noticias
Foto: http://www.arambare.ptibook.com/index.php?page=galerie&serie=05-03/03-03&photo=0003-0710281030422

novembro 18, 2007

PREFIRO ME CALAR PARA NÃO ABALAR MINHA FÉ

afirma Amin Nordine, poeta moçambicano, Prémio Municipal da Cidade de Maputo

Amin Nordine (camiseta branca) e João Paulo Quehá

Tira-me uma foto rapaz, um dia vais precisar dessa foto...wene pá... tira-me ao lado do meu amigo, o grande artista Joãooooo Pauloooo Quehaaaaá...eu não sou nada, mas Quehá é uma estrela. Assim falou Amin Nurdine no encerramento do festival de arte revivendo mestre Chissano ( 20/10/2007) no Museu Galeria Chissano na Matola.

Amin Nordine tinha razão, hoje ilustro esta conversa connversa entre o Poeta e Alexandre Chauque, jornalista do jornal Noticias.

Entrevista completa click aqui

Fonte:
Texto: Alexandre
Chaúque, Jornal Noticias
Foto: Ouri Pota

novembro 12, 2007

MÚSICA PARA MEUS AMIGOS

Música para meus amigos é assim que o jovem Seth Suaze optou por intitular o seu concerto agendado para dia 16 de Novembro no Café Bar Gil Vicente às 23 horas.

Seth Suaze de guitarra e chapéu

Música para meus amigos é também um motivo para fazer “mais amigos”, alias Seth Suaze já os têm por natureza. Como prova podemos citar as várias participações em convívios realizados na capital...Seth sempre que e convidado a subir ao palco não hesita, mesmo que com a banda não tenha ensaiado...com a sua humildade conquista mas amigos (fãs).

Nesses convívios, muitas vezes ouvi a plateia a gritar acompanhando com palmas o seu nome Seth,Seth,Seth....quem assistiu o concerto de ALFA pode comigo testemunhar, pois naquela noite Seth Suaze dedilhou e interpretou um clássico de Fanny Mpfumo...e noutra intitulada Clave do Sol, apareceu e alimentou os nossos ouvidos com um tema de Dólar Brand,.alias, ele próprio disse vou interpretar um tema de Dollar Brand a minha maneira...foi lindo ouvir o tema Mannenberg, no dedilhar do Seth Suaze....Sera que a participação como convidado ou voluntário em vários eventos terá sido um termômetro para medir o seu publico? Creio que a resposta esta no evento do dia 16 de Novembro de 2007, as 23 horas no Café Bar Gil Vicente.

PROGRAMA DO CONCERTO

1 Parte (Acústica)

Seth Suaze –Guitarra Acústica e Voz

Jaffet –Voz

Naldo – Voz

* Composições próprias

* Interpretação de algumas composições de músicos moçambicanos como Arão Litsuri, Hortêncio Langa, Stewart Sukuma, Fanny Mpfumo ...

2 Parte (Com Banda )

Seth Suaze –Guitarra Acústica (solo) Viola baixo (Solo)

Nenê – Viola baixo

Gibra – bateria

Morte - teclado

Jaffet –Voz

Naldo – Voz

* Composições próprias

* Interpretação e execução de composições de músicos nacionais e estrangeiros ( Dollar Brand, Deve Koz, Miriam Makeba, Arão Litsuri.....)

novembro 11, 2007

A NOSSA LUTA (cap.1)

A Cidade onde vivo chama-se Maputo. No dia 10 de Novembro comemoramos os 120 anos desta cidade. Musica, feira de livros, gastronomia mascaram as festividades...

Porque não podia sair de casa, achei que devia fazer qualquer coisa, uma vista de olhos a pequena estante de livros,...lembrei que havia adquirido numa das bibliotecas ambulantes a obra A NOSSA LUTA, escrita por Samora Moisés Machel.

Recordei-me também que naquele local onde decorria a festa do dia da cidade, muitas vezes quando membro da Organização de Continuadores de Moçambique, na companhia de colegas de escola ficamos para ouvir e gritar bem alto, a Luta Continua durante os comícios de Samora Moises Machel, onde as escolas primarias estavam sempre presente acompanhado pelos seus professores.

Desta obra, vamos partilhar apenas o resumo de cada “capitulo”.

Cap. 1

PRODUZIR E APRENDER

APRENDER PARA PRODUZIR

E LUTAR MELHOR

  • Na nossa zona, o trabalho é um acto de libertação, porque o resultado do trabalho beneficia os trabalhadores, serve os interesses dos trabalhadores, isto é, serve para libertar, o homem da fome, da miséria, serve para fazer progredir a luta. Porque na nossa zona abolimos a exploração do homem, porque a produção é propriedade do povo, ela serve o povo. Na nossa zona, porque o nosso combate é para libertar os trabalhadores explorados, é com orgulho que nos vemos as nossas mãos com calos, é com alegria que nos enterramos os nossos pés na terra. O trabalho na nossa zona ajuda-nos a desenvolver a consciência da nossa origem, ajuda-nos a sentirmo-nos orgulhosos da nossa classe, ajuda-nos a liquidar os complexos, que os colonialistas queria impor-nos.
  • Ha companheiros que desprezam o estudo, porque ignoram o seu valor. O estudo e como uma lanterna a noite, mostra-nos o caminho. Trabalhar sem estudar, ‘e andar as escuras, pode-se avançar, e certo, mas grandes são os riscos de tropeçarmos, de nos enganarmo-nos no caminho.
  • Nos costumamos dizer que apreendemos a guerra na guerra, o que quer dizer, na realidade, que e fazendo a revolução que apreendemos a melhor fazer a revolução, lutando que aprendemos a lutar melhor, e produzindo que aprendemos a melhor produzir. Podemos estudar muito, ler muito, mas para que servirão essas toneladas de conhecimento se não levarmos as massas, se não produzimos? Se alguém guarda sementes de milho na gaveta, será que vai colher maçaroca?
  • Quando eu nianja estou a cultivar lado a lado com o ngoni, estou a suar com ele, com ele a arrancar vida à terra, eu estou a apreender com ele, estou a apreciar o seu suor, estou-me a sentir unido a ele.Quando eu do norte, aprendi com um camarada do sul a fazer horta, e irrigar os tomates vermelhos e carnudos, quando eu do centro aprendi com o camarada do norte a fazer crescer a mandioca que desconhecia, estive-me a unir com esses camaradas, estive a viver, materialmente, a unidade da nossa Pátria, a unidade da nossa classe de trabalhadores.Estive a destruir com ele os preconceitos tribais, religiosos, lingüísticos, tudo o que era secundário e nos dividia.Com a planta que cresceu, com suor e inteligência que ambos misturamos à terra, cresceu a unidade.
(A Nossa Luta, Samora Moisés Machel, Imprensa Nacional, 1975, Maputo, pags 23,24)

novembro 09, 2007

Longe de casa, Deodato Siquir não esquece a terra natal, o exemplo é este, o seu primeiro CD, BALANÇO, chegou a Moçambique, ou melhor, os seus amigos já o têm...e eu como curioso "roubei" por uns dias das MÃOS MOÇAMBICANAS da jornalista Rosa Langa, antes do seu lançamento oficial, na Dinamarca a 8 de Novembro de 2007.

Estou a "curtir" as faixas, depois escrevo algo, mas também podem escutar alguns temas deste jovem Moçambicano, radicado da Dinamarca. Click aqui boa audição...