outubro 09, 2007

DEZ DIAS, 100 HORAS, REVIVENDO CHISSANO

Como forma de reviver a vida e obra do Escultor Moçambicano, Alberto Chissano (1934- 1994), membros da Associação Cultural Xibalakatsarte promovem um Festival de Arte a ter lugar na Galeria Chissano na Matola do 10 à 20 de Outubro de 2007.

A Escultura , Pintura e Timbila foram as formas de expressão que os organizadores escolheram para durante os 10 dias produzirem obras, conhecerem a vida e obra do mestre Chissano, falar do estágio das artes plásticas em Moçambique e da Timbila como Património Mundial.

Esta é uma das várias iniciativas que os artistas optam para preservar a obra do Escultor Alberto Chissano, com objectivo de criar um momento de convívio, sensibilizar a sociedade a aderir espaços de caracter cultural como é o caso do Museu Galeria Chissano.

A directora do Museu Nacional de Arte, Julieta Massimbe vai falar da Vida e Obra do Mestre Alberto Chissano (14/10/07) enquanto que em relação ao Estágio das Artes Plásticas em Moçambique os artistas pretendem trocar ideias na mesa redonda (17/10/07), a qual esperam a participação do público amante das artes.enquanto. O ARPAC foi convidado para enviar um especialista para falar da Timbila como Património Mundial (20/10/07). Estes encontros terão inicio as 15 horas das datas marcadas. O workshop será diario das 8 as 18 horas, são no total dez dias = 100 horas revivendo o mestre Alberto Chissano.

Apresentação de A Ciência de Deus e O Sexo das Borboletas,
da autoria de Daniel da Costa, feita pelo escritor Mia Couto
no Teatro Avenida - Maputo

Sempre que apresento um livro, eu me vejo perante uma contradição quase insolúvel. E o conflito é o seguinte: apresentar um livro é, de algum modo, negar esse mesmo livro. Porque um livro não se apresenta, um livro não se explica. Sobretudo, se é um bom livro. Por respeito a esse pequeno tesouro se deveria evitar este momento que implica uma operação redutora e simplificadora daquilo que é um universo de infinitas possibilidades.

Mas existe o outro lado da medalha: as cerimónias de lançamento constituíram-se numa bênção a uma criatura nova, um filho de palavras que sai para um mundo que está perdendo a palavra. Estamos perante um objecto que é bem mais do que uma coisa: um livro é um companheiro de pensamento e de sonho. Neste caso, este livro é um amigo que é filho de um amigo.



Este é um livro estranho não apenas pelo título. Mas a vida é, ela mesmo, muito estranha. A primeira virtude dos textos de Da Costa é que eles estão em diálogo com a nossa realidade quotidiana. Mas esse diálogo vai para além daquilo que chamamos de “realidade”.

Tomemos, por exemplo, um estádio de futebol. Parece tratar-se apenas de uma entidade física. Mas o estádio é muito mais do que um recinto desportivo: é uma espécie de oráculo, um altar onde desfilam esperanças pessoais e colectivas, onde nações grandes e pequenas se juntam para festejar e chorar.

Daniel da Costa inventa um estádio de futebol em que uma mulher que irrompe jogo adentro perseguindo um jogador com uma frigideira. Há aqui uma inversão de espectáculo: o estádio de futebol é geralmente transportado para o interior do nosso mundo doméstico, invade a sala de estar da família onde o homem se senta enquanto a mulher humildemente o vai servindo. Pois aqui acontece o oposto: o universo doméstico se representa no recinto do estádio, subitamente convertido num palco de teatro onde se representam e se vingam as nossas maleitas mais íntimas.

Uma outra história é a de um homem que, num café de Matacuane, na Beira, luta contra os fantasmas e maldições de amor. Este homem, em pleno Parlamento, vota não pelo seu partido político mas vota nos seus próprios testículos. Isso parece ter um tom quase obsceno. Mas é aqui que a ironia de Da Costa nos empurra a pensar. Afinal, a maior obscenidade é ser político sem ter ideias, é ser deputado sem trazer propostas inovadoras, é ser cidadão sem ter vontade de mudar a realidade. Há quem fique aflito com a Dama do Bling, mas há uma pornografia que entra diariamente nos noticiários da TV que é a corrupção e a criminalidade generalizada. Os textos de Daniel falam destas pequenas hipocrisias do nosso quotidiano.

Enfim, só na aparência este livro pode ser lido como uma colecção de crónicas e contos. Há aqui a didáctica de uma nação cujo pilar principal é a sua própria diversidade. Daniel da Costa viveu essa diversidade. O nome dele devia ser corrigido. Ele devia ser: Daniel das Costas. Porque este cidadão é profundamente plural nas suas vivências. Ele está perfeitamente à vontade nas diferentes raças e tribos do nosso chamado mosaico cultural. É fácil dizer que Moçambique é composto por esse mosaico. Mas é mais difícil assumir que essa diversidade de culturas existe dentro de cada de nós. Daniel da Costa - que também é Nelson Xavier - é alguém que declara na fronteira que transporta esse contrabando dentro da sua escrita.

Este “A Ciência de Deus e o Sexo das Borboletas” retoma aquilo que é uma vocação quase esquecida na nossa literatura: a de visitar o nosso quotidiano por via de um voo muito especial que se chama ironia.

Em geral, nós rimo-nos para esquecer. Depois, acabamos chorando por lembrar demais. Mas o riso a que nos convida Daniel é um outro, quase oposto. Rimo-nos para aceitar que nós ainda não somos quem pensamos ser. Rimo-nos porque na pressa de queremos ser essa outra coisa, acabamos convertendo numa caricatura grosseira, acabamos sendo esse mesmo homem inacabado que Daniel fala do caso de um indivíduo que deixava sempre as coisas a meio. Nós estamos sempre a meio nesse processo de sermos alguém. Por muito que avancemos, falta-nos sempre a nossa outra metade.

O grande mérito de Daniel da Costa é este: nós somos sempre os seus personagens. Cabemos um pouco neles todos e, ao nos rirmos deles, estamo-nos rindo saudavelmente de nós mesmos. Esta é a terapêutica da escrita num tempo e num mundo carregado de angústias. É isto que sugerem estes textos: nós estamos doentes por nos levarmos demasiado a sério. Estamos doentes porque nos esquecemos que, dentro de nós, bate à porta um outro Eu, e esse Eu é sempre uma pessoa contraditória que sonha e que ama.

Este é um projecto assumido na escrita de Daniel da Costa. E é ele quem nos faz lembrar: o sonho e o amor são as duas únicas asas da vida.

E eu posso-vos garantir: essas duas asas estão reunidas nesta Borboleta em forma de livro.

Maputo, 13 de Setembro de 2007

outubro 07, 2007

O DESTINO É IMPREVISIVEL,MAS A APOSTA É VENCER !

O prometido é devido. O artista plástico Sebastião Matsinhe durante as comemorações do seu 10º aniversário de carreira como pintor, disse que para além de exposições individuais, colectivas estão agendadas vários programas artísticos.

De 5 à 15 do Julho de 2007, Sebastião Matsinhe apresentou na Associação Moçambicana de Fotografia, em Maputo, a Individual Choro em Retrospectiva, trazendo quadros produzidos nos últimos dez anos de carreira.

Sebastião Matshinhe que acredita que O Destino é Imprevisivel, mas a Aposta é Vencer!, que por sinal é o lema das comemorações do 10º anoversário de carreira, o artista sai do Choro em Retrospectiva para poder sorrir com o público amante das artes plásticas. Eis a razão que na exposição colectiva com Mário Tique, Sebastião Matsinhe intitulou a por KUNWAYITANA o que na sua língua materna Xitswa significa Sorriso.

Em Kunwayitana o sorriso apenas não é para quem fôr a exposição, mas sim um reencontro artistico entre Mário Tique e Sebastião Matsinhe.

Orgulhosamente Sebastião Matsinhe afirma ser fruto de Mário Tique na pintura, ele é meu mestre, dai que a exposição é dedicada a Samora Machel (Homem que admiro) e Mário Tique o mestre...”. Cada artista vai apresentar na modalidade de pintura 12 obras.

Mário Tique interpreta a sua maneira o Kunwayitana. “ ...é um reencontro, pois sem me lembro, conheci o Sebastião Matsinhe aos 6 anos ali na escola Primária 16 de Junho, quando descobri que ao meu lado existia alguém que gostava de brincar com lápis...foi assim que Eu e Sebastião Matsinhe tornamo-nos amigos, colegas de arte e irmãos.....” assim o diz Mário Tique.

Creio que muitos amantes das artes não puderam participar no Choro em Retrospectiva, por vários motivos, mas a está Kunwayitana há motivos para estar presente...pois é uma aula sobre a inserção do Artista Plástico, Sebastião Matsinhe sorrindo ao lado dos eu mestre Mário Tique, este que não aparece publicamente com suas obras desde 1996.

O Hotel Avenida em Maputo é o local escolhido para apresentar KUNWAYITANA (Sorriso) de 20 à 27 de Outubro de 2007, das 09 h às 21 horas.

outubro 02, 2007

INTERCÂMBIO MOÇAMBIQUE - ALEMANHA.

As parcerias entre os países são indispensaveis. Neste contexto, nas relações que Moçambique tem com Alemanha destacando a area cultural, através do Instituto Cultural Moçambique Alemanha, actua dia 04 de Outubro às 20.00 Horas o grupo TAMBOUR, no Teatro Avenida.

Para além do concerto está agendado uma converas entre a banda Tambour, músicos e jornalistas, no dia 03 de Outubro na Associação dos Músicos Moçambicanos, das 10.00 às 12.00 horas.

Durante este único concerto que está inserido no âmbito da promoção intercultural entre Moçambique – Alemanha, os organizadores afirmam que serão apresentados vários números que actualmente servem inspiração para outros músicos do mundo.

O líder do TAMBOUR David Friedman é uma das referências do Jazz Internacional. No seu curriculum constam participações em trabalhos de músicos de Jazz famosos tais como George Benson e Chet Baker.


Dia : 04/10/07 - Quinta feira
Local : Teatro Avenida
Preço : 100 MT

setembro 28, 2007

No dia 20 de Setembro de 2007, convidaram-me para a Noite do Silêncio no sítio do costume, o café bar Gil Vicente, a priori questionei porque sair para um sítio com silêncio...contudo acabei aceitando o convite.

Foi uma Noite do Silêncio onde só os poetas tem direito de quebrar o silêncio...neste contexto apresento aqui, um poeta, Amin Nordine que durante a sessão do silêncio rabiscava no meu bloco (do blog) o qual compartilho com os leitores o deseu texto com título Desbafo.

Amin Nordine em plena declamação do seu poema

Desabafo

É empolgante o que se está a passar com a juventude maputense que pese embora o contraste da perda de valores preciosos, quiçá, relativos ao cometimento em envolver-se com drogras e prostituiçâo, sâo substituidos por outros limpadores do caminho que se pervoram na arte de afirmação por intermédio da arte.

Um exemplo do facto é a sua assumida intervenção na área da poesia, cantio, dança, música que mais vivifica a perenidade de vermos .

O Café Bar Gil Vicente....é o viveiro dos que se plasmam em tal (deixe-se a publicidade)...tenho a certeza que a ser assim posso morrer feliz...

Amin Nordine
(Poeta) 20.09/07

setembro 24, 2007

ONE DAY IN MAPUTO

Resultado do Intercâmbio entre Estudantes Moçambicanos da Escola Nacional de Artes Visuais e da Academia de Belas Artes de Praga, República Checa já está disponível na Internet. Faça um click aqui. Para quem não foi assistir no CCFM ou pretende repetir.

setembro 21, 2007


Algures nas nossas instituições públicas, na baixa da cidade de Maputo.
Linda ideia, o chato é que a campainha está avariada...a quanto tempo não sei...uma semana? digo Sim, porque na semana de 17 à 21 de Setembro a campainha estava avariada como ilustra o papel ao lado na foto...até quando...?

setembro 20, 2007

NOITE DE POESIA

Sexta- Feira, 21/09/2007, no Intstituto Cultural Moçambique - Alemanha, ICMA.
Uma iniciativa do ICMA em cooperação com a União Nacional dos Escritores, UNE.
Participação do poeta britânico que está em Moçambique no âmbito do projecto Power Of The Voice da British Council.

Entradas: Livre/Mahala
Horas: 18:00 Horas

setembro 16, 2007

QUANDO A NOITE DORME...NASCE A MADRUGADA

Aquela noite não dá para esquecer, murmurava eu arredores do café Bar Gil Vicente, a caminho de casa, após uma longa jornada de copos e música.

O dia 7 de Setembro, também conhecido como dia da Vitória, foi a data escolhida pelo jovem polivalente Chico António. Guitarradas agendas para 22.30 horas no café Gil Vicente, que só iniciaram a meia noite (mau sinal), pois uns e outros já tinham programado o bolso (dinheiro), contudo as guitarradas começaram, Chico se aproximou ao microfone, cantou Abram Alas...apenas para testar o público...

Testado o público, Chico tinha uma missão, justificação antecipada da sua ausência de Moçambique, uma breve demonstração do que preparou para França e um teste final para os fãs muito em particular ao doador, ali representado pelo director do Centro Cultural Franco Moçambicano, Jean Michel Champault, um apaixonado pelo movimento cultural Moçambicano.

A plateia era habitual, malta das artes e letras e dos copos, claro. Bebiam-se a contar com os bolsos, mas bebiam a música sem contar com o cansaço do artista. bís,bís,bís...Um coro nalgumas vezes organizado, noutras desorganizado acompanhávamos a banda constituída por Chico na guitarra acústica e voz, Carlos Gove no baixo, Stélio na bateria, Jorge Domingos na guitarra solo. O público marcou falta vermelha ao Rufas Maculuve, pois esteve ausente, nem o seu teclado deixou ali para disfarçar...

Para fechar a lacuna da ausência do Rufas, Chico em jeito de provocação chamou o Jorge Domingo, este que mostrou que filho de peixe sabe nadar, ali a conversa era acústico e solo, duas linguagens simples de perceber para um ouvido apurado, era uma guerra de melodias, harmonia, num duplo dedilhar com uma só mensagem, agradar a alma...na plateia, murmuravam: - estes gajos tocam...

Definitivamente a noite dormia...acordava assim a madrugada, os amantes das artes e letras iam chegando, Chico também atento a plateia saudava os que conseguia reconhecer, uns gritavam para se evidenciar...outros pediam temas do seu gosto, Chico seguia o repertório combinado com a banda, se É QUE tinham mesmo combinado....

Meigoooo....venha me ajudar – gritava Chico...e como o Homem vive consoante o ambiente que o rodeia, o Sociólogo e escritor Filimone Meigos subiu ao palco, conheço-o nas guitarradas, mas naquela noite vi outra coisa .... ele ao microfone, a maneira bi-bi-bi-ba-ba-txurururu... (algo idêntico)

Chico deixou de dedilhar, colaborou com o improviso do Filimone Meigos. Um dia memorável, acredito que a obra de arte é aquela que não se repete...neste estilo, no mesmo local, a mesma hora e a mesma velocidade...duvido.

Estava bom demais, até porque comemoravamos o dia da vitoria, 7 de setembro, em plena madrugada de 8 do mesmo mês... Entre os assistentes também estava José Mucavel, este, sem autorização se fez ao palco...puxou o microfone, entrou na onda da banda e cantou Nkululeko...linda interpretação num dia de festa...com esta composição atravessávamos rios espiritualmente...

Espectáculo lindo, porém vai um reparo para a produção, 22.30 hora agendada para o espectáculo, mas teve seu inicio a 00.00h, assim não dá...ausência de elementos da banda sem justificação ao público também não joga.

Linda noite, alias madrugada, talvez voltaremos a viver momentos idênticos no regressso da banda depois de três meses de ausência passeando a classe em França, onde Chico já se encontra desde o passado dia 10 de setembro enquanto que a banda arranca a 25 de setembro do corrente mês.

Os ponteiros giravam e indicavam 03:00 horas. A sala estava vazia e palco se despedia do público...venham sempre...