fevereiro 21, 2007

ALGUMAS FOTOS " SONATA A TRÊS MÃOS"

Escultura – Mieke Oldenburg

Escultura – Mieke Oldenburg


Pintura - Gemuce


Pintura - Gemuce

SONATA A TRÊS MÃOS NAS PAREDES DO CCFM

Sol e Sombra (Gemuce)
São três artistas, três formas de expressão ( Desenho - Malangatana, Escultura – Mieke Oldenburg e Gemuce - Pintura) numa SONATA A TRÊS MÃOS, uma colectiva patente no Centro Cultural Franco Moçambicano até 23 de Fevereiro.

Só pude passar pelo Centro Cultural Franco Moçambicano, CCFM, nos dias 13 e 22 de Fevereiro. Nesta exposição já conhecia as obras ou melhor a linha característica dos artistas Malangatana e Gemuce enquanto que as obras de Mieke Oldenburg constituíram novidade com as suas esculturas em bronze e barro, destacando as miniaturas resultado de uma criatividade.

Em relação aos artistas que já os conheço, os mestres Malangatana e Gemuce, a minha visita ao CCFM serviu para reviver os traços já característicos (Malangatana) e as inovações (Gemuce).

Na exposição SONATA A TRÊS MÃOS, nota-se que Gemuce mais uma vez não esconde o que lhe vem no subconsciente, liberta-o expondo na tela o seu sentimento através da pintura em aguarela e óleo sobre tela.

Gemuce exterioriza as suas vivências, perfurando desde as zonas sub urbanas e urbanas com objectivo não só de entreter os seus fãs, mas também para sensibilizar a sociedade em preservar o meio ambiente como sugere na obra “Bairro sem lixo” (técnica aguarela 82.5 x 43cm, Ano:2006).

Acrescido das influências provenientes das correntes clássica, moderna e contemporânea Gemuce leva consigo inconscientemente para a tela a bicicleta, um meio de transporte bastante usado na sua terra natal...talvez seja saudade...por curiosidade ligo para o artista e pergunto a presença frequente da bicicleta nos seus quadros, a resposta não tarde...provêm do subconsciente (risos).
Na mostra SONATA A TRÊS MAOS os artistas não deixaram de lado a beleza feminina, o mestre Malangatana mostra na obra OS EMARANHADOS ou em MEDITANDO SOBRE O AMANHÃ a estética feminina, a Mieke talvez por ser mulher, apresenta nas suas obras 90% a figura feminina dai que baptizou uma das suas obras por AFRICAN QUEEN (Técnica: Bronze, 40 cm Ano:2006) e Gemuce BRANCO NO PRETO (Técnica: Óleo S/tela, 120x100cm, Ano: 2006), SOL E SOMBRA (técnica: Óleo S/Tela, 120 x 100 cm, Ano 2006).

SONATA A TRÊS MÃOS
De 06 à 23 de Fevereiro de 2007 no Centro Cultural Fraco Moçambicano
http://muvart.blogspot.com (blog do movimento em que Gemuce faz parte)

janeiro 31, 2007



Este murral é resultado do envolvimento dos artistas na Escola Central da OTM sita na Rua das Flores, Matola 700. O responsavel foi o artista Walter Zandamela.
Continuidade do murral "ODE A SAMORA MACHEL"

ODE A SAMORA MACHEL NA VISAO DE NAGUIB

É belo gostar pelo belo.
A vida é bela quando vivida intensamente e
Sobretudo quando é feita por nós.

Samora M. Machel
15.04.1986

... a cada dia que passava pela marginal via um movimento “estranho” de jovens subindo escadas, uns quebrando azulejos, outros com pincéis nas mãos...eu não percebia do que se tratava concretamente. Os dias foram passando os “media” foram falando da iniciativa daquele espaço, o murral cujas obras estão sob a orientação do artista plástico NAGUIB.

No dia 18 de Janeiro de 2007, na companhia de um grupo de colegas, passei pela marginal procurando espaço para revermos a matéria dos exames de recorrência. Devido a minha curiosidade, a concentração não era maior, razão pela qual um dos colegas sugeriu que nos retirássemos do local, para um outro melhor, pois eu estava concentrado naquela moldura humana que trabalhava naquele murral.

Passados 10 dias, 28 de Janeiro de 2007, consegui uma boleia de um amigo meu, Danio Carimo, que apenas me levou ao local para satisfazer o meu desejo de ver de perto aquele trabalho. Caminhando a passos de camaleão, fui apreciando o trabalho dos jovens coordenados pelo mestre Naguib.

O murral ODE A SAMORA MACHEL situado na marginal em frente ao clube naval, prendeu a minha visão, creio também aos que por lá passam. Ali esta a criatividade, a dedicação, e os traços característicos do mestre Naguib, onde predomina o movimento do azul e ainda o corpo feminino característico nas suas obras, em suma diria o mestre a pintura é a poesia dos olhos e a poesia é a pintura dos ouvidos.

Pelos dizeres escolhidos para o murral como "Não se pergunta um escravo se quer ser livre", "o ignorante é incompetente, o incompetente julga saber tudo", frases ditas por Samora Machel, o Homem que considerou a juventude Seiva da Nação, faz acreditar que também o mestre Naguib artista autodidacta, inovador, homem de projectos mantem a sua relação com a juventude, razão pela qual cria oportunidade para os jovens participarem nos seus projectos, alias eu sou um dos exemplos, em 1999 convidou me a integrar no Movimento Artistas Contra Pobreza onde a titulo voluntário trabalhei na área de comunicação...confesso que apreendi bastante.

Aos visitantes (nacionais e pelo mundo fora) deste pequeno espaço se um dia passarem por este lindo Moçambique não se esqueçam de escalar a marginal e apreciar esta obra concebida pelo mestre Naguib com participação jovens da Escola Nacional de Artes Visuais.
Neste murral contemplamos a beleza e apreendemos um pouco da história de Moçambique atraves da arte.

janeiro 17, 2007

“ RABISCO”

Nunca é tarde.
Cá estou
Prosperidade caros visitantes
Juntos nesta esfera sem fronteira
De Ideias, debates e sugestões
Porta aberta, mente atenta
Sucessos nas diversas àreas de intervenção
Feliz 2007.

Pota

dezembro 23, 2006

O MEU PRESENTE DO ANO





Entre os minutos que recebi a obra MAPUTO BLUES* através da editora Ndjira, fui folhando enquanto aguardava a chapa que pudesse me transportar para os meus aposentos. Num folhar aleatório, me concentro nas páginas 14 e 15, um poema dedicado ao Zé Flávio Teixeira “ Marrabenta para Fanny Mpfumo”.

Verso a verso, vou me familiarizando com a temática do autor. Tento rebuscar no meu acervo, os poucos registos que tenho sobre Fanny Mpfumo e de seguida salto para casa do vizinho para convence-lo a tocar os temas descritos no poema.

Vizinho alegre, imagina de imediato uma passada (que também gosto de ver pessoas a dançar), imagina num Reggae que geralmente culmina com uma cerveja...nada disso, oiço um Blues A WA SATI VALOMO tema de Fanny Mpfumo interpretado por Salimo Muhamad, ex-Simião Mazuze. Do canto da cozinha ouço o grito da dona Madalena, a mãe do simpático vizinho... repita por favor, são músicas do meu tempo. Sinto o rejuvenescer da memória da Dona Madalena. Emocionado tento com a minha voz desafinada declamar o poema que me levou a casa do vizinho “ Marrabenta para Fanny Mpfumo” (pag. 14 e 15 - Maputo Blues ), dou uma tonalidade de aprendiz curioso em recital de poesia, colocando uma voz rouca nos nomes dos músicos e os respectivos temas. Do outro lado o som da loiça desaparece, ficando apenas o agradável cheiro de amendoim que dominava a sala de visita onde rolava o disco vinil de 45 rotações, num gira disco que o vizinho contava suas tristeza e alegrias movimentado pelo som daquele “Gumba-Gumba” aguardava ordens na reserva.

Em cada verso declamado, dona Madalena improvisava uma melodia, destacando em viva voz os temas de João Wate, Alexandre Langa, Fanny Mpfumo e João Domingos.

Minutos depois, tia Madalena contou o seu passado das “farras” na então Lourenço Marques, cujo citadinos era apelidados por laurentinos...uma saudade revivida graças as composições que pude pedir ao filho para escutar em sua casa, contudo tenho que agradecer a sua “Matapa” que concetrou o meu estômago e automaticamente tinha que repitir as composições do passado que alegram o presente.

Com Maputo Blues conquistei amizade da tia Madalena.


*Maputo Blues (Poesia), autor Nelson Saúte, lançado recentemente em Maputo pela editora Ndjira.

dezembro 10, 2006

ARTE COMO TERAPIA



Actualmente caminho pouco pelas ruas desta bela cidade de Maputo. Este meu caminhar lento acompanhado pelas “canadianas”(Muletas), faz de mim um homem com muitas paragens. Enquanto repouso, os olhos vão capturando algumas imagens abstratas e reais.

Porque sou da opinião que ver, ouvir e calar é perigoso, pretendo aqui compartilhar convosco algumas das minhas leituras, começando por falar das iniciativas que vão acontecendo nesta bela cidade de Maputo, a capital de Moçambique.

Começo por destacar a iniciativa das Centrais Sindicais OTM e CONSILMO que optaram por envolver artistas (pintores, actores de teatro) e sindicatos com intuito de sensibilizar a sociedade no combate ao HIV/SIDA, com destaque no local de trabalho.

A iniciativa que escalou a cidade da Beira, provincia de Sofala, abre assim um espaço de diálogo entre os trabalhadores e empregadores em relação as políticas sobre HIV/SIDA e GÉNERO no local de trabalho.

Para ver o resultado do envolvimento dos artistas na provincia de Maputo, foi escolhido o dia 14 de Dezembro de 2006 para inauguração do murral da Escola Central da OTM sita na Rua das Flores, Matola 700.

novembro 28, 2006

O OUTRO LADO DA LIGAÇÃO

Este é
o lado submersso
não necessariamente
oposto
muito menos
antagónico
este é
o lado
terráqueo
distanciado
da religião
mas nem por isso
profano
este é
o lado humano
e sobretudo
o outro lado
da religação

Domi Chirongo