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novembro 03, 2011

24 anos sem o REI FANY ( 1929 - 1987 )





"A Marracuene Kuni King ya Marrabenta, mas não pode ilunga laku mine...Ni mwana wa Jéhovah na Jesus - Em Marracuene existe um Rei da Marrabenta, mas não pode desafiar ...Sou filho de Jeová e Jesus "

In Marrabentar Vozes de Moçambique, p.61

fevereiro 18, 2010

2010 Ano da Marrabenta

Stewart Sukuma escreveu a dias, semanas ou meses “Músicos: vamos decretar este ano como o ano da marrabenta. se cada músico fizer uma marrabenta não vai haver falta de música para dançar. Vamos também fazer fena, magika, tufo.” recebi recentemente do artista o link para ver o seu vídeo e dar opinião...Eu opinião?...aceitei e partilho com quem passar pelo Mãos de Moçambique...se puder deixe também a sua opinião



Ficha técnica:
Vídeo: Xitchuketa Marabenta [Não oficial]
Musica e Letra de Stewart Sukuma
Arranjos e todos instrumentos excepto Soprano Nelton Miranda soprano Muzila
Coros: Cizaquel Matlombe e Filo Cambula
Concepção do Vídeo: Agostinho Uanicela
Edição: Agostinho Uanicela

Assisti o vídeo, gostei e lembrei me de alguns dizeres do Stewart Sukuma patentes no livro Marrabentar, de Amâncio Miguel, o qual passo a citar: “aqui a música nunca serviu como um grande meio de comunicação, porque as pessoas continuam a pensar que o músico só serve para animar a malta”

Recordando-lhe a citação acima, perguntei ao músico se ainda mantinha este pensamento. Stewart disse que a música é um instrumento poderosíssimo de comunicação. Podemos sim juntar o útil ao agradável (comunicar e dançar)...algumas pessoas, mas poucas, já valorizam o facto das músicas terem uma mensagem consistente e objectiva...ainda é uma minoria... a persistência pode ser uma arma para a mudança, o problema é que as pessoas querem resultados imediatos...eu não negoceio a minha música...

Conheça outros trabalhos de Stewart Sukuma aqui, aqui e aqui

maio 21, 2009

MARRABENTA (DAS) NO BRASIL

Dueto I
( Stewart Sukuma e Elizah )

Marrabenta I
( Stewart Sukuma e Sónia André )

Marrabenta II
( Stewart Sukuma e Sónia André)


Fotos Marrabenta (I,II) - cedidas por Sónia

Foto Dueto I -  cedida por Sukuma

Saiba mais sobre Sónia André AQUI e escute música de Stewart Sukuma AQUI  e AQUI

novembro 27, 2007

KARINGANA WA KARINGANA…

Karingana Wa Karingana. Sempre foi assim, esse é o marco da nossa tradição da oralidade… assim se contavam as estórias à volta da fogueira.

Karingana Wa Karingana. Assim foi como Mingas terminou o espectáculo de consagração dos seus 30 anos de carreira que, infelizmente, deram para apenas em um CD ela apelar “Vuka Africa” (acorda África!).

Pois então… Karingana Wa Karingana (Era uma vez), uma carreira de 30 anos contada, alias cantada, briosamente, numa só noite, num espaço de quase três horas… Num espectáculo de canto e dança maravilhosamente produzido (pelo mano, cada vez mais mestre, Jimmy Dludlu) e interpretado (pela orquestra moçambicano-sul-africana que acompanhou Mingas – deixo para o Ouri Pota os pormenores técnicos de quem esteve num e noutro instrumento), Mingas resumiu o brilho de uma carreira que ainda vai dar muito…porque ela é a voz feminina de top da música moçambicana… o que já a relega perigosamente para o universo das Divas.

Era uma vez, um espectáculo cinco estrelas, aliás, para deliciar os cinco sentidos:

- A visão (a cor, luz e “confettis” que decoraram o palco, as vestes afro “made in projecto Maciene da FDC” que serviram de traje aos artistas em palco e, porque não, o espectáculo em si que Mingas e as bailarinas da CNCD na arte de dançar)

- A audição (os sons oferecidos pelos instrumentistas e pelos coristas, Naldo, Sheila Jesuíta e Xizimba, a passagem de uma para outra música e a mudança de ritmos e compassos sem quebras…exemplarmente dirigidas pelo “toque de Midas” de Jimmy…para deleite de bons ouvidos, ouvidos adultos)

- O tacto (quem não pode tocar Mingas e sua banda, tocou-se mexendo-se e remexendo-se na dança, cá nas bancadas…porque a noite foi de boa marrabenta, que alguns entraram mesmo em transe…outros julgaram que estavam a levitar…outros atingiram o Nirvana!)

- A fala (pelo canto, belo canto…de Mingas e acompanhada em coro por quase toda assistência, até mesmo por aqueles que de chope, changane e ou ronga pouco entendem)

- O paladar (quem não saboreou os matori-tori oferecidos pela produção lá mesmo para o fim, saiu do “Franco” sem poder dizer com toda a propriedade que “É uma Delícia!”)

Era uma vez, um espectacular… espectáculo que começou a calar-nos “de profundis”, em “valsa lenta” com o jubilado “A Wasati Va Lomu” e depois percorreu todos os temas “hit” de e/ou interpretados por Domingas Salatiel Jamisse ao longo de 30 anos de música, quais “N’weti” (pra marrabentar), e as baladas “Mamana” e “Alirandzo”, “Uta Ti Sola”, “Vuka Africa”…e depois teve aquele momento fenomenal de duas vozes sonantes, contrastantes mas não dissonantes em Duo…com Dua, essa voz “bluesy” sem igual no panorama musical moçambicana com o enternecedor “Ainda És Meu Irmão”!

E, como em todas as estórias da tradição oral moçambicana, a noite de sagração dos 30 anos da carreira musical de Mingas terminou apoteoticamente com “Karingana Wa Karingana, ho-ho-ho karingana/xikongolotwana, hum ka mamane/”… num baile marrabentado que mereceu o pedido de “bis” do público, a que Mingas e a sua banda viraram-se proibidos de dizer não. E dissemos que o espectáculo terminou como começam os contos da nossa tradição, ou como começa a tradição dos nossos contos. Sim, terminou como se começa (Karingana Wa Karingana) precisamente porque cremos que aquela noite marcou o recomeço da carreira de Mingas, que muito tem a dar aos moçambicanos e a África musicalmente.

Aliás, Mingas deve-nos a todos um álbum em que reuna N’weti, A Vasati Va Lomu, Alirandzo, Karingana Wa Karingana e outros temas velhos e novos que queremos ter nas nossas discotecas de casa, de família, porque Mingas tem muita mensagem para essa família Africana que somos…

Karingana Wa Karingana…era uma vez um espectáculo espectacularmente produzido, dirigido e interpretado para o qual não há palavras o suficiente para caracterizá-lo, senão o refúgio em uma palavra para qualificar a nossa incompetência em narrá-lo de tão deslumbrados: inefável! Kanimambo, Mingas!

P.S:
Jojó (teclados), Bokani (piano), Jorge César, Simão Nhancule e Rolando (Percussão, Stélio (bateria), Dodó (guitarra),Carlos Gove (viola baixo), Ivan Mazuze e Neil (Saxofone), Xizimba, Sheila Jesuíta e Naldo (coros).

Texto: Milton Machel (do blog Estado da Media)

Fotos: Ouri Pota